Cristãos procuram caminhos de unidade pela Paz e pela Justiça

Tempo de Esgueira acolhe celebração ecuménica A oferta comunitária ou a partilha individual dos dons de cada um podem ser um sinal de unidade eclesial e de paz, que é impossível sem partilha e sem justiça.

Igrejas cristãs de Aveiro viveram em comum a CELEBRAÇÃO ECUMÉNICA, que decorreu no renovado templo da paróquia de Esgueira, literalmente cheio de cristãos, católicos e protestantes, designadamente da Igreja Metodista.

Presidiram Monsenhor João Gaspar, Vigário Geral, também em representação do Bispo da Diocese, D. António Marcelino, ainda em convalescença, e o Pastor da Igreja Metodista, Reverendo Eduardo Conde.

Cânticos, símbolos, gestos, atitudes, entusiasmo, partilha de pão e vinho… (deliciosa ceia servida por todos e para todos saindo da mesma mesa). Duas horas de reflexão e de partilha do que todos têm de bom em prol da paz.

As mensagens que as Igrejas Católica e Metodista, através dos celebrantes-presidentes, foram claras, testemunhantes de que muito já se caminhou na unidade.

O Pastor Eduardo Conde fez um tanto a distinção entre a paz do mundo e paz de Cristo. “A paz do mundo é momentânea, temporal, que podemos experimentar num deter-minado momento, enquanto que a paz de Cristo é uma paz substancialmente diferente, porque ela acontece aquando do nosso encontro com Deus”, sublinhou, tendo acrescentado que “esta paz ou este encontro vai-se construindo no dia-a-dia, nas consciências, transbordando para o mundo”. Para o Pastor Metodista, sem paz na consciência de cada um não se poderá construir a paz no mundo. Referiu que devemos ser, cada um, construtores de paz, enquanto evidenciou que “nestes encontros ou celebrações ecuménicas podemos encontrar caminhos de paz, paz nas consciências, paz para a sociedade, porque, afinal, vamos chegando à conclusão de que são mais as coisas que nos unem do que aquelas que nos dividem. Na mensagem de unidade há uma mensagem de paz e não de desunião. É também por isso que aqui estamos todos em comunhão, em partilha”, disse o Pastor Eduardo Conde.

A minha paz vos dou…

Monsenhor João Gaspar, recorrendo ao Antigo Testamento, escalpelizou a palavra “Shalom” (Paz), “conteúdo tão rico, expressivo e multifacetado que dificilmente pode traduzir-se para outra língua.

Significa a completa realização ontológica e salvífica das criaturas, decerto emanada da vontade divina de paz, mas em que todas aquelas são colaboradoras.

Da sua concretização resulta uma vida feliz, uma existência vivida no bem material e espiritual, uma afável harmonia nos casais, umas boas relações entre as famílias e povos, enfim uma aliança recíproca entre os homens, e entre estes e Deus”.

Evocando Paulo de Tarso e o paladino da paz — João Paulo II —, Monsenhor João Gaspar terminou referindo que “a paz, se é um ideal, também é possível aqui e agora, na medida em que ela, embora com esforço, vai ganhando terreno no pensamento dos cristãos e dos homens de boa vontade, e por sua própria acção. Sabemos que o caminho que leva à paz não é fácil de encontrar nem de percorrer”. Evidenciou que os encontros ecuménicos mútuos, de alguma forma, dão credibilidade à nossa expressão de paz, apresentando à sociedade e ao mundo a visão de uma reconciliação universal em Cristo. E isto alcança-se particularmente na e com a oração, a qual está intimamente ligada ao desejo de unidade, no respeito por ricas e múltiplas tradições”.