Saúde O frio intenso e o inverno rigoroso exigem a tomada de algumas medidas para se evitarem acidentes, lesões e doenças graves. Textos de José Carlos A. Costa
As crianças e as pessoas idosas são as que mais sofrem com problemas respiratórios durante o inverno, porque pertencem a grupos particularmente vulneráveis. Porém, qualquer outra pessoa poderá ser afetada.
As mudanças bruscas de temperatura colaboram com as doenças como as gripes, constipações (resfriados), amigdalites e otites (inflamação dos ouvidos), fazendo-as propagar rapidamente. Para algumas pessoas, além destes vilões patológicos é necessário enfrentar outras manifestações que se agravam durante o inverno. É o caso da asma, pneumonia, bronquite, rinite e sinusite, como também outras patologias do foro cardiovascular.
A hipersensibilidade do organismo a algumas substâncias desencadeia reações alérgicas. O pó do interior das casas, os ácaros e fungos, pelos de animais, além do fumo do cigarro são alguns dos agentes irritantes mais comuns a evitar.
A temperatura corporal pode baixar demasiado nas pessoas idosas e nos bebés subalimentados e insuficientemente agasalhados. Qualquer pessoa que permaneça estática durante muito tempo num local frio poderá também sofrer de hipotermia.
A melhor terapia para combater o frio é o calor, banhos quentes, bebidas quentes, alimentos quentes, roupas quentes e, acima de tudo, atividade física permanente. O corpo deve estar todo à mesma temperatura, incluindo as extremidades e articulações: mãos, pés, joelhos, tornozelos e ancas.
Doenças mais prevalentes no inverno
• Asma – é uma inflamação do aparelho respiratório de cariz alérgica, caraterizada por pieira no peito, tosse e sensação de falta de ar. É conhecida por ser uma doença comum em crianças, mas pode surgir em adultos e pessoas idosas a partir de infeções por vírus e bactérias.
• Amigdalite – É uma inflamação causada por vírus ou por bactérias. Os sintomas são dor de garganta, dor ao engolir, febre, mau hálito e, às vezes, inchaço (edema) dos gânglios do pescoço.
• Bronquite – É uma inflamação dos brônquios, que impede a chegada do ar aos pulmões. A forma aguda é causada por vírus e bactérias. Os principais sintomas são: tosse seca com pieira seguida por tosse com eliminação de catarro (expetoração), dor no peito, fadiga, mal-estar e febre. Pode estar ligada a alergias e é agravada com o fumo ou o contato com fumantes.
• Gripe – É uma infeção causada pelos vírus influenza, que é mutante. É uma doença altamente contagiosa e pode causar entupimento das vias aéreas (congestionamento), inflamação na garganta, dor muscular, dor de cabeça, febre alta, calafrios, fraqueza, tosse seca, espirros e coriza nasal. A transmissão ocorre pelo ar, quando os pacientes falam, espirram e tossem, e, indiretamente, pelas mãos e por objetos infetados.
• Otite ou dor no ouvido – É uma infeção bacteriana do ouvido médio que fica entre o tímpano e o ouvido interno, muito comum em crianças. Normalmente, vírus e bactérias que infetaram a garganta migram até ao ouvido.
• Pneumonia – É uma infeção aguda dos pulmões, causada por bactérias, vírus ou fungos. Os alvéolos pulmonares ficam cheios de pus, de muco e líquidos, que impedem a respiração. Normalmente, ocorre quando há falha nas defesas do organismo e pode surgir após uma gripe ou uma bronquite fortes. Os sintomas são: tosse com catarro, dor no tórax, calafrios, suor, palidez e febre alta.
• Constipação (resfriado) – É a mais comum das doenças alérgicas, causada pela inflamação, ou pela simples irritação, da mucosa do nariz. Os principais sintomas são espirros, coriza nasal, comichão e congestionamento do nariz.
• Sinusite – É a inflamação da mucosa que reveste os chamados “seios da face”, cavidades do crânio em torno do nariz, causada por alergias ou infeções virais e bacterianas. Os principais sintomas são dor de cabeça, inchaço nas pálpebras, nariz entupido e dor nos olhos.
Alimentação saudável
no inverno
O nosso tecido adiposo (gordura corporal) tem um importante papel de manter a temperatura do nosso corpo. O corpo gasta muito mais energia para manter a temperatura corpórea do que a produzí-la. A energia responsável pelo aquecimento é absorvida através dos alimentos ingeridos.
É importante ter cuidado com os exageros típicos da estação, pois aumentar o consumo alimentar sem saber as reais necessidades do organismo pode ser prejudicial à saúde.
O ideal é consumir alimentos ricos em hidratos de carbono (glícidos) como pão, massas, arroz, batatas e farináceos em geral. As gorduras (lípidos) polinsaturadas são essenciais. É de salientar que alguns tipos de gorduras não são benéficas, como as oriundas de fritos (submetidas a elevadas temperaturas) e as saturadas (manteiga, banha, gordura animal em geral). Devem-se privilegiar as gorduras provenientes do azeite, óleo de girassol e de soja. A gordura de peixe é também recomendável (nomeadamente o peixe de pele azul e com escama), devido ao seu teor em ómega 3 e 6, preventivos dos acidentes cardiovasculares.
Os legumes e verduras assumem um papel importante na alimentação do inverno, pois além de fontes de vitaminas e minerais importantes para o organismo, são, também, preventivos de gripes e constipações (resfriados). Trata-se dos casos da laranja (rica em vitamina C) ou da cebola, couve, brócolos e tomate.
As proteínas, encontradas na carne, peixe, produtos lácteos, ovos, leguminosas (feijão e grão) e frutos oleaginosos (nozes, amêndoas, pinhões, avelãs…) exercem ação benéfica na produção de anticorpos e fortalecimento do sistema imunológico. A época é oportuna para se consumirem sopas ou cremes preparados com vegetais.
O corpo precisa de água, mesmo no inverno. Devido às baixas temperaturas é natural que haja redução no consumo de líquidos frios, mas é preciso ter consciência dessa necessidade orgânica. Os chás ou a água morna podem ser uma boa opção para compensar a diminuição no consumo de líquidos.
Alguns sinais de alerta de hipotermia
•Tremores
•Exaustão
•Confusão mental
•Mãos inquietas
•Perda de memória
•Fala “lenta” confusa ou baralhada
•Sonolência
•Pele muito fria e vermelha
•Apatia psicológica
Estratégias de proteção do frio
•Hidratar e proteger corretamente os lábios com creme;
•Hidratar e proteger a pele do rosto com um creme compatível com as caraterísticas individuais;
• Um banho quente ao deitar pode ajudar a diminuir os sintomas de frio;
•Colocar na cama os agasalhos compatíveis com o frio que é sentido;
•Não usar roupas nem sapatos apertados;
•Cobrir a cabeça com chapéu ou gorro;
•Usar luvas e calçado confortáveis: quentes e impermeáveis;
•Ingerir bebidas quentes e refeições cozinhadas, servidas quentes;
•Vedar bem as portas e janelas, devendo renovar o ambiente uma ou duas vezes durante o dia;
•Evitar permanecer durante muito tempo fechado no mesmo espaço.
Atenção
•Não utilizar fogueiras, velas, candeeiros e aquecedores de chama viva destruidores do oxigénio e potenciadores de incêndios.
