Cuidados a ter com os olhos

Saúde Os nossos olhos estão expostos a agentes que podem prejudicá-los, como ecrãs, erros alimentares, fatores climáticos… Neste texto do médico José Carlos A. Costa ficamos a conhecer alguns cuidados a ter com o órgão da visão.

Os olhos representam o órgão da visão. São um dos órgãos mais importantes do corpo humano. Os olhos focam os raios luminosos, a forma dos objetos e as cores. Visualizam-nos o mundo exterior e permitem-nos identificar e seriar o que está à nossa volta. Mas nem tudo é benéfico aos olhos.

• O computador e a televisão são dois instrumentos da vida moderna que não trouxeram nenhum benefício aos olhos. Atualmente, o computador é um meio de trabalho e de comunicação importante, mas é preciso utilizá-lo em condições adequadas e respeitar os limites de cada utilizador.

• As alterações ocorridas na camada de ozono tornam os raios solares agressivos aos olhos de todas as pessoas. A exposição prolongada e desprotegida à radiação solar e a permanência abusiva em frente à televisão são atitudes erróneas que ameaçam a saúde dos olhos.

• A vida agitada, o período de sono insuficiente, o excesso de gorduras, o consumo de açúcar, de sal e álcool arrasam com a acuidade visual da pessoa moderna.

• Os portugueses usam e abusam do uso de óculos. Os chamados óculos de sol nem sempre são utilizados por quem precisa nem prescritos por quem sabe. O sintoma de vista cansada, tão referida nos dias de hoje, traduz, na maior parte das vezes, stress e falta de descanso durante o sono.

Quando é que a visão

deve ser avaliada?

As crianças antes dos três (3) anos deveriam ser submetidas a um diagnóstico oftalmológico. É ocasião para vistoriar não só a qualidade da visão da criança, como possíveis influências congénitas a que esteja sujeita. Quando detetadas em tempo útil, poderão ser erradicadas, mesmo antes de se manifestarem. Existe um teste muito simples de realizar mas que pode despoletar o sinal da anomalia ocular, fazendo a oclusão de um dos olhos (tapando-o) e observar o comportamento da criança e os reflexos do olho destapado. Os olhos das pessoas adultas deveriam ser observados de dois em dois anos.

Cuidados a ter

Deve-se evitar a exposição prolongada em frente ao computador. O tempo de permanência ao computador deve ser intercalado com pequenos períodos de pausa. Estes momentos de descanso ocular podem ser utilizados para a realização de outras atividades de menor esforço para os olhos. Por exemplo, não se deve ler imediatamente a seguir a um tempo demasiado longo ao computador. Por cada sessenta (60) minutos de utilização do computador é recomendado fazer uma pausa de cinco (5) minutos.

A distância que se estabelece entre o utilizador do computador ou o observador da televisão e os respetivos monitores é crucial para prevenirmos os danos mais significativos dos olhos. Quanto mais afastado do monitor estiver o utilizador, menor será o risco de contrair lesões oculares. O computador deve estar posicionado 20 a 30 graus abaixo da linha do horizonte do olhar e a uma distância mínima de 50 a 60 cm. Desta forma, as pálpebras intercetam grande parte da radiação emitida pelo computador, protegendo os olhos dessa agressividade.

A luminosidade dos écrãs (computador e televisão) é um fator muito importante a ter em consideração porque, quanto mais intensa for a luz e o brilho do écrã, maior será a probabilidade de lesão ocular. Nestes casos, o período de utilização deverá ser reduzido e os intervalos mais frequentes. Os intervalos são também oportunidades para fazer exercício aos olhos. É importante regular o computador com maior contraste e menor brilho. Focar o olhar em objetos que estejam a distâncias diferentes frequentemente ajuda a recuperar a estabilidade fotogénica dos olhos e a acuidade visual.

Não se deve coçar os olhos. A fricção pode desencadear processos de inflamação graves nos tecidos oculares. Perante as sensações de incómodo, ardor, comichão, irritabilidade conjuntiva não se deve pressionar nem friccionar. A lavagem dos olhos com água tépida e a aplicação de uma compressa húmida e fria poderá dissipar o desconforto. Em lugar da fricção deve-se pestanejar enérgica e frequentemente para assegurar a humidificação e irrigação de todo o globo ocular.

O uso de gotas oftalmológicas por iniciativa do próprio utilizador ou por aconselhamento alheio nunca se deve fazer. Os olhos são demasiado importantes para serem alvo de experiências imprudentes.

A utilização de óculos de sol pode ajudar a proteger os olhos das agressividades dos raios solares. Porém, estes instrumentos de proteção ocular devem ser usados somente quando são efetivamente necessários, como qualquer prótese. Os óculos de sol são para ser usados somente quando a incidência dos raios solar é mais forte, cuja direção possa estar no alinhamento dos olhos (ex: ao nascer e ao pôr do sol, quando se olha diretamente para o sol). Fora destes períodos, os olhos não precisam de proteção. A luz solar ou artificial é benéfica e imprescindível à visão desde que não incida diretamente nos olhos. A ausência de luz retira a capacidade de focagem, obstando a visão. Os óculos de correção ocular ou de proteção dos raios solares devem ser prescritos e usados de acordo com o aconselhamento médico. Os óculos não devem ser usados como adorno nem adereço de moda. O uso indevido desta prótese ocular pode causar danos e viciar os olhos. O uso de óculos sem necessidade vicia os olhos e enfraquece a visão natural.

Algumas doenças dos olhos

O olho vermelho, por exemplo, é um sinal que esconde um grande número de enfermidades oculares. Perante esse sinal, é preciso diferenciar os casos simples dos perigosos. Devem-se conhecer os sinais e sintomas oculares sugestivos de gravidade. As úlceras, o glaucoma e as uveítes são as três grandes ameaças à visão associadas ao olho vermelho. A identificação destas patologias e a aplicação terapêutica adequada e em tempo certo é a atitude mais acertada para a erradicação destas enfermidades.

A conjuntivite do recém-nascido também deve ser considerada grave pela potencialidade da origem gonocócica ou por clamydias. As conjuntivites agudas, blefarites, hordéolos e calázios, em geral, não são graves. Contudo, compete ao profissional de saúde fazer a avaliação e propor a orientação terapêutica mais ajustada à doença. Os olhos quando lacrimejam ou apresentam uma sensação de corpo estranho persistentemente merecem uma avaliação profissional. O mesmo acontece quando surgem sinais de hemorragia ocular.