1 – Parece-nos de todo acertado o diagnóstico que fez Miguel Cadilhe: a dificuldade de captação de investimentos prende-se com os custos de contexto. Não é só a burocracia que paralisa a iniciativa. É também o baixo índice educativo, que arrasta consigo a deficiente formação, é a falta de aplicação no trabalho… E a produtividade, nessas circunstâncias, não é compensadora nem competitiva.
2 – O Ministério da Educação desdobra-se em iniciativas que salvem da banca rota a credibilidade dos portugueses em matéria de competência matemática. A ocupação de “furos” dos alunos, a formação contínua dos professores, a utilização de processos modernos e tecnologias avançadas… Pois é! Tudo muito interessante, se uns e outros assumirem que aprender e ensinar: implica fazer com gosto, mas também com sacrifício; reclama pedagogia lúdica, e outrossim trabalho intensivo; exige partilha de grupo, como estratégia de aplicação individual.
3 – O problema da Educação não está resolvido. A menos que seja encarado de frente, tudo resultará em construção a começar pelo telhado, sem consistência nem eficácia. É indispensável que à Educação presida um quadro de valores o qual reconheça a dignidade inalienável e irrepetível da pessoa humana, que explique a sociedade não como um somatório de indivíduos, mas como uma complexa teia de interdependências construtivas, que contemple e promova a diversidade de aspectos da edificação pessoal e comunitária, que acolha as diversas iniciativas e forças da sociedade – culturais, lúdicas, espirituais, artísticas, económicas…
4 – Permanece e consolida-se um monolitismo estatal, de tendência ideológica subreptícia, a coberto da neutralidade, que não propõe uma autoridade do educador feita de coerência com valores básicos humanistas, que navega na onda do hedonismo, esquecendo o trabalho e o dever, que acolhe a omissão das famílias, que facilita o relativismo, desestruturando as personalidades, que idolatra a “competência” para o mercado de trabalho, em vez da cidadania responsável…
5 – Não há Reforma da Educação nem do Sistema Educativo que produza frutos, seja qual for o investimento (em Portugal investe-se muito em educação – Portugal tem das melhores proporções professor/número de alunos, e os professores são dos mais bem pagos da Europa -, mas os resultados estão à vista), se ela não tocar o íntimo das pessoas, a começar pelos docentes, que têm de passar de funcionários a educadores comprometidos, continuando pelas famílias – seja qual for a sua situação, elas são o espaço natural de uma relação educativa privilegiada -, até aos educandos, que têm de assumir o seu tempo educativo por excelência como um tempo de “trabalho específico”.
Já é tempo de se retomar um debate, generalizado e em força, sobre a Educação, a diversidade de responsabilidades educativas, as sinergias requeridas…, para sairmos deste péssimo estado de Educação em que nos encontramos, já que esta é a única janela de um futuro credível.
