D. António Baltasar Marcelino – Bispo de Aveiro de 1988 a 2006

Quando, na tarde de 8 de Dezembro próximo, daqui a nove dias, D. António Marcelino entregar o báculo a D. António Francisco, cumpre o último gesto de Bispo Diocesano, deixando de estar à frente da Igreja aveirense. D. António passa a ser, efectivamente, Bispo Emérito.

Se é verdade que emérito não quer dizer reformado, com D. António Marcelino mais essas palavras se afastam. A sua agenda já está cheia de solicitações dos que antecipam um bispo aliviado dos trabalhos da Diocese de Aveiro. E ele próprio, como várias vezes afirmou, inclusive nas páginas deste jornal, coloca-se ao dispor do novo Bispo.

Ainda seminarista, ganhou um concurso nacional de escrita. Sendo professor no Seminário de Portalegre, fazia centenas de quilómetros por semana para anunciar as novidades do Concílio e formar leigos. Como bispo auxiliar, coadjutor ou residencial, criou três semanas nacionais para formação de agentes pastorais (a da Pastoral Social, a da Família e a do Apostolado dos Leigos). Como padre ou bispo em tempo de férias, convidou os veranean-tes para serões de formação em zonas balneares. E desde sempre, muito antes de escrever no Correio do Vouga, colaborou com a imprensa. Não é preciso conhecer muito o D. António para saber que ele não pára. É a própria vida, com ânsias de ser plena, que não o permite. De certeza que vai arranjar novos púlpitos, a par dos muitos que lhe oferecem. O anúncio do Evangelho não pode parar.

Resumir em duas páginas de jornal a acção de D. António Marcelino na Igreja de Aveiro – e em Portugal (na cronologia) – seria injusto, se não fosse impossível. Ficam apenas alguns elementos julgados importantes, no meio de imensas lacunas que quem acompanha a vida cristã em Aveiro facilmente notará.

J.P.F.