D. Tomaz Barbosa da SIlva Nunes (1942-2010)

D. Tomaz Barbosa da Silva Nunes, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã, faleceu no dia 1 de Setembro.

O prelado, natural de Lisboa (3 de Dezembro de 1942), era licenciado em Ciências Geofísicas pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e em Teologia pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, era também Mestre em Ciências da Educação pela mesma Universidade, especializando-se em Administração e Gestão Escolar.

Ordenado presbítero em Novembro de 1973, D. Tomaz foi assistente adjunto em Lisboa da Liga Operária Católica (LOC), em 1977, passando, a partir de Janeiro de 1981, a assistente diocesano, cargo que exerceu até 1998. Durante nove anos foi também assistente da Juventude Operária Católica (JOC).

Desde 1989, era director do Secretariado Diocesano do Ensino Religioso. Foi assistente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, leccionando no Curso de Licenciatura em Ciências Religiosas.

Em Março de 1998, foi nomeado Bispo Titular de Elvas e Auxiliar do Patriarcado de Lisboa. A ordenação episcopal decorreu em Maio, na Igreja Nossa Senhora de Fátima, na paróquia a que pertencia, onde foi baptizado e onde se realizou o seu funeral.

Durante seis anos foi Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, eleito em 13 de Abril de 1999 e reconduzido em 11 de Abril de 2002.

Desde 2005 era Vigário-Geral e Moderador da Cúria do Patriarcado de Lisboa. Durante os últimos anos foi o intermediário com o Governo para a Educação Cristã nas Escolas, no âmbito da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica. Era presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e vogal da Comissão da Pastoral Social.

A missa exequial realizou-se no dia 2 de Setembro, às 11 horas, presidida pelo Cardeal Patriarca. O cortejo fúnebre seguiu para o jazigo do Patriarcado no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.

CV / Ecclesia

Reacções

“Ontem [1 de Setembro], quando entrei no quarto do senhor D. Tomaz e vi o seu corpo sem vida, não senti que a vida é um choque com o futuro, mas senti muito profundamente que é um choque com a eternidade, violento, surpreendente e inesperado. Jesus tinha-nos avisado. Mas nós esquecemos com tanta facilidade esse aviso tantas vezes repetido: ‘Virei quando menos se espera’”.

D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, na missa das exéquias

“Colega, amigo e confidente. Ele foi activo na renovação dos catecismos, na Escola Católica e na ligação com o Governo para a afirmação da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica”.

D. António Marcelino, que trabalhou com D. Tomaz no Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa entre 1999 e 2005 e, nos últimos seis anos, na Comissão Episcopal de Educação Cristã

“Era uma pessoa que trabalhava mais no silêncio do que no ruído. Nunca foi um homem de grandes manifestações públicas, mesmo quando foi porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa. A sua atitude perante os media era reservada. Perdi um irmão e um amigo”.

P.e António Rego, director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais

“Era uma pessoa muito fácil, afável e, simultaneamente rigorosa. Trabalhámos juntos nos domínios da educação e da cultura e sempre encontrei nele uma enorme disponibilidade e, sobretudo, um grande rigor. Gostaria de recordar a personalidade extraordinária deste homem da Igreja, que também era muito preocupado com as pessoas concretas. Deixa um enorme vazio”.

Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas, ministro da Educação entre 1999 e 2000

“É uma grande perda para a Conferência Episcopal, para a Igreja e para o país. Tive o privilégio de privar com ele, quando o próprio solicitou a minha colaboração”.

Marçal Grilo, administrador da Fundação Gulbenkian, ministro da Educação entre 1995 e 1999.

Jornais confundem D. Tomaz

com D. António Marcelino

Talvez por terem colaborado em diversas instâncias, nomeadamente na Comissão Episcopal de Educação Cristã, de que o Bispo Emérito de Aveiro é vogal, o jornal “Correio da Manhã” publicou a fotografia de D. António Marcelino com os dados do bispo falecido. Mas não foi o único. Também o sítio electrónico do “Expresso” ilustrou durante algum tempo a morte do Bispo Auxiliar de Lisboa com uma fotografia do Bispo Emérito de Aveiro.