Dar-se é receber

Olho de Lince O casal ouviu a minha conversa com aquela avó angustiada, que não via literalmente um palmo do caminho a fazer, com uma neta deixada nos seus braços aos quinze dias de vida, sem que jamais pai ou mãe, até esta idade (os quase nove anos), tenha dado sinais de qualquer interesse ou preocupação pela sua filha.

A pequena, que frequenta regularmente a Catequese, quer ser baptizada e fazer a primeira comunhão. Não se lhe pode negar esse bem. A avó é sincera: tem dificuldades em acompanhar a netinha. Nestas circunstâncias, precisamos de alguém que dê suporte ao desejo da pequena. E o casal percebeu: Padrinhos, não tanto para dar folar, mas para dar o seu carinho e interesse, para dar o seu exemplo, para dar a sua palavra de orientação.

Se percebêssemos que a vida se faz com estes pequenos gestos, a entrançar um tecido de relações humanas sadias e estáveis, seríamos todos mais felizes: os que se dão, porque recebem; os que recebem, porque não se escravizam, mas dão…oportunidades de outros serem melhores.