Salinas aveirenses em extinção As salinas (ou marinhas de sal) aveirenses estão praticamente em vias de extinção, já que este ano são oito as que ainda se mantêm em laboração, número que, na década de 1950-60, era de 275, número praticamente idêntico ao verificado em 1933, ano em que 276 salinas produziram sal. No século X, o número de salinas em actividade rondava o meio milhar.
Esse foi um dos dados apresentados no workshop “A ria e o seu universo”, promovido pela Divisão de Museus e Património Histórico, da Câmara Municipal de Aveiro, que assinalou a reabertura do Eco Museu da Marinha da Troncalhada.
Em 1790, numa época em que a ria sofria os efeitos da estagnação das águas, devido ao constante assoreamento da barra (então situada próximo de Mira), a produção de sal em Aveiro foi de 3.337 toneladas. Após a reabertura e fixação definitiva da barra, em 1808, a produção de sal teve um substancial acréscimo, atingindo as 97.200 toneladas, no ano de 1877. No entanto, no século XX, a produção começou a decair, pelo que, em 1933, a produção era de 50.000 toneladas. Também a área ocupada pelas salinas foi diminuindo, passando de cerca de dois mil hectares, em 1876, para 1.380 hectares, em 1936.
Este ano, estão em funcionamento oito marinhas de sal, que são: “Troncalhada”, “Grã-Caravela”, “Senitra”, “Pajota” e “Santiaga da Fonte”, todas elas incluídas no Grupo do Sul. Do Grupo do Norte, só está em actividade a “18 dos Caramonetes”, enquanto que, do Grupo de S. Roque e Esgueira, estão activas a “Podre” e a “Passã”. As duas últimas estão ameaçadas pelas obras do Polis e pela construção da linha ferroviária de acesso ao porto de Aveiro. Do Grupo do Mar, nenhuma marinha em actividade.
Actualmente, pelo menos dezassete antigas marinhas de sal foram convertidas para piscicultura, havendo mais duas que estão em fase de conversão. Convertidas para produção de peixe estão as marinhas “A Caveira”, “Os 21”, “Sujas”, “Círcia”, “Ravasquinha”, “Romanos”, “Ratinha” e “Flor de Sama”, todas no Grupo do Mar. No Grupo do Norte, estão a “Senhora das Dores” e a “Novazinha”. Do Grupo do Sul, foram convertidas para piscicultura as marinhas “Corte das Freiras”, “Corim”, “Fome Negra”, “Arrombada”, “Barrigueira do Cabeço” e “Barrigueira do Mar”, enquanto que, no Grupo de S. Roque e Esgueira, só a “Parda” está a produzir peixe. Em fase de reconversão para piscicultura estão as marinhas “Desgarrada” e “Saltoas”, pertencentes ao Grupo do Norte e ao Grupo do Sul, respectivamente.
