Deixou muito boa impressão a aula dada pelo senhor mais rico do Mundo aos pequenos e menos pequenos de escolas básicas e secundárias portuguesas: que não escolhessem o seu futuro dando prioridade ao dinheiro imediato e fácil. Muito bem! Mas, naturalmente, alguns ficaram a perguntar-se como é que ele conseguiu tantos milhões…
É sublime que reparta uma enorme percentagem dessa riqueza com causas nobres, sobretudo de combate a situações degradantes de milhões de pessoas. Mas pode, entretanto, continuar a perguntar-se: Quem reparte tanto, ainda fica com alguma coisa?… E toda a gente sabe que ainda lhe sobra muito mais.
Mais arrojado é o projecto de emparceirar com a formação a um milhão de portugueses, para que não sejam da multidão dos info-excluídos. Pode, todavia, continuar a perguntar-se se isso vai, na realidade, estimular a iniciativa pessoal e de grupos, se vai gerar sinergias que desenvolvam projectos produtores de riqueza e integradores das pessoas numa vida social esperançosa, solidária, aberta ao futuro…
Numa época de globalização, estes intercâmbios, estas parcerias, são a expressão vulgar da interdependência dos grupos e dos povos. Natural, portanto, que americanos e russos, chineses e iranianos, portugueses e indonésios…, todos se cruzem, se interpelem, se proponham ideias e projectos, se dêem apoios e ideias.
Mas com dignidade! Sem que diante uns dos outros, quais miseráveis ante divinos bezerros de oiro, nos curvemos, nos desdobremos em mesuras subservientes. Porque, se há esses “monstros sagrados” da tecnologia (que dá dinheiro!) é porque há consumidores que pagam bem todos esses resultados da ciência, da tecnologia de ponta.
Reconhecer o valor, sim! Aceitar a ajuda, também! Não ter vergonha de precisar de apoios para sair do marasmo, nem se discute! Mas sem incensarmos os humanos, sem fazermos deles os salvadores da Humanidade, sem abdicarmos do património que é a nossa identidade – e que já deu ao Mundo, qual pigmeu entre gigantes, contributos tão importantes como as novas conquistas para o desenvolvimento da história humana. Com humildade e acolhimento, sim; mas sem nos colocarmos de joelhos (melhor dito, de cócoras) a seus pés.
