“Deixamos este trabalho nas vossas mãos”

Semana missionária de Estarreja e Murtosa encerrou em Avanca, no domingo, com um grande apelo: todos os cristãos podem e devem ser missionários onde se encontram. Criaram-se apenas três grupos paroquiais de dinamização missionária

Encerou em festa a semana missio-nária dos arciprestados de Estarreja e Murtosa, após oito dias de sensibilização missionária nas catequeses, nas escolas, em reuniões com agentes pastorais, em vistas a doentes, nas missas. O salão do Cento Social e Paroquial de Avanca encheu-se de cristãos das 13 paróquias da Murtosa (6) e Estarreja (7) para ouvir o apelo final: “Deixamos este trabalho nas vossas mãos”, disse P.e Claudino Gomes, coordenador da semana. “Os cristãos devem sentir-se permanentemente enviados em missão sem temerem quem se lhes opõe. «Contigo, nada temerei»”, acrescenta.

Ao Correio do Vouga, este missionário comboniano que desde há três anos coordena as semanas de sensibilização missionária que os institutos missionários propõem à Diocese de Aveiro, congratulou-se por a semana ter sido “assumida desde a primeira hora pelos arciprestes e párocos”. Sobre o trabalho desenvolvido pelos missionários em cada comunidade disse: “Não viemos para uma pastoral de manutenção, mas de animação para a missão. A nossa pers-pectiva é agir local, mas pensar mundial. Em tudo abrir os horizontes de missão. Privilegiamos o trabalho com a juventude, estivemos em quase todas as escolas, mas procuramos igualmente os envolvidos nas pastoral paroquial. Para quê? Para lhes dizer: Fazendo o que estais a fazer, é preciso sair do âmbito do templo para ir ao encontro das pessoas, especialmente daquelas que estão mais carentes de Evangelho. A animação missionária passa pela solicitude pelos que sofrem mais, quer aqui quer longe daqui. Se não se empenharem aqui, como se empenharão mais longe?”

Entre os missionários que passaram a semana nas paróquias, esteve P.e António Augusto, dehoniano que foi missionário em Madagáscar e agora trabalha na animação missionária em Portugal. “Estive nas paróquias de Torreira e São Jacinto e foi uma experiência extraordinariamente bonita. Estas paróquias são bem dinamizadas pelo seu pároco, têm muitos leigos a colaborar e um diácono muito empenhado”, afirmou. Como resultados concretos da semana deseja: “Para além de grupos missionários em todas as paróquias, que é o desejo do Bispo de Aveiro, espero maior dinamismo comunitário, que as pessoas se empenhassem mais e se entrosem mais umas com as outras para criar comunhão e deixar algumas coisas menos positivas que às vezes acontecem entre grupos. Podemos ser todos missionários: institutos, dioceses, movimentos, paróquias. A igreja é toda missionária. Estamos todos na mesma barca, a caminho do mesmo ideal. O povo português é missionário por excelência, mas de vez em quando é preciso reavivar esse espírito. O que nos fizemos estes dias foi precisamente para reacender esse dom de Deus que é o espírito missionário nas nossas comunidades paróquias”.

Formados três grupos

missionários paroquiais

P.e Abílio Araújo, pároco de São Jacinto (é do concelho de Aveiro, mas por conveniência pastoral está ligada ao arciprestado da Murtosa) e Torreira reconhece que as paróquias, “sendo Igreja, são necessariamente missionárias, integradas numa Igreja que é a Diocese, que, por sua vez está em comunhão com as outras igrejas”, pelo que antevê um papel importante para os dois grupos missionários formados nas suas paróquias: “Eles vão ter como preocupação a oração pela missão da igreja, são elo de ligação e comunhão com outras igrejas, vão sensibilizar a paróquia para não se feche em si própria, porque isso é uma tentação e é um erro. Os grupos paroquiais podem desenvolver acções concretas para recolher fundos, angariar assinaturas para a imprensa missionária, colaborar com os institutos missionários e ainda proporcionar vivências missionárias fora do país, ainda que temporárias”.

Sendo a criação de grupos missionários paroquiais um dos objectivos da semana, os resultados, para já, são algo decepcionantes. À partida, apenas foram criados três: dois nas paróquias referidas e mais um, interparoquial, no Bunheiro e Partilhó. “Foi pouco”, afirma P.e Claudino. “No ano passado, todas as paróquias de Vagos menos uma formaram grupos missionários paroquiais. Contava que aqui também se chegasse a isso. Mas ainda temos esperança de que outros grupos entretanto se formem. Será um aspecto a ter em conta na avaliação que os missionários vão fazer com os párocos. Se não fica um grupo que assuma a dinâmica, corre-se o risco de que não se faça mais nada”, acrescenta. “Por isso insistimos muito na criação destes grupos e novamente faço um apelo a todas as paróquias para terem o seu grupo de animação missionária, para, por exemplo, promover o Outubro missionário”.

E vocações para as missões «ad gentes» têm saído destas semanas que há cerca de 20 anos percorrem a diocese? P.e Claudino Gomes só pode responder pelas três últimas de que foi coordenador, Oliveira do Bairro (2008), Vagos (2009) e agora Estarreja/Murtosa. “Tanto quanto eu sei, não. Mas é preciso ver que esta semana é algo muito genérico. Os missionários insistem mais na dinamização missionária das paróquias. O mais importante é a criação de grupos. Mas é preciso notar que trabalhamos numa obra muito grande em que estão também os pais, os padres, os educadores. Uma vocação que surja num determinado momento é sempre fruto de imensos trabalhos”.

Jorge Pires Ferreira