Em poucas palavras, democratizar a economia é contribuir para que ela seja, e esteja ao serviço, das pessoas (cf. o 1º. parágrafo do penúltimo artigo). Isto implica o envolvimento de todas as entidades públicas e privadas, num esforço permanente de congregação de esforços; implica, em especial, a promoção de acções de base, intermédias e políticas. No artigo anterior, abordaram-se, de maneira sumária, algumas acções de base; dedica-se este a acções intermédias.
A doutrina social da Igreja consagrou, há muito, a expressão «corpos intermédios», para significar as entidades que se situam entre as pessoas-famílias e os centros de decisão política. Tal é o caso, nomeadamente, das empresas, das cooperativas, das instituições particulares, das diferentes associações e fundações… Os «corpos intermédios» caracterizam-se por emanarem da sociedade, resolverem alguns dos seus problemas, não disporem de poder soberano, mas poderem exercer influência nele. Dentro de um são entendimento, defende-se a não transferência, para a instância política, de actividades que podem ser realizadas pelos «corpos intermédios»; tal como não deve ser transferido, para os «corpos intermédios», aquilo que pode ser realizado pelas pessoas e famílias. Cada «corpo intermédio» contribui, positiva ou negativamente, para a democratização da economia, embora muitas vezes não o assumam; recomendável é que o assumam e, sobretudo, que dêem contributos positivos, evitando os negativos.
Se, porventura, os «corpos intermédios» funcionassem bem, teríamos uma estreita articulação entre representantes de trabalhadores e de empregadores, a nível de freguesia, concelho, distrito e nacional. Teríamos também articulação igualmente estreita, nos mesmos níveis, entre representantes das diferentes instituições particulares de solidariedade social, integradas ou não na Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, na União das Misericórdias e na União das Mutualidades. Tais articulações aconteceriam regularmente, e não estariam à espera de iniciativas governamentais: O Conselho Permanente de Concertação Social reuniria regularmente, com ou sem a presença de representantes do Governo; o mesmo aconteceria como as entidades de âmbito nacional representadas no «Pacto de Cooperação para a Solidariedade (instituições particulares de solidariedade, autarquias locais e governos regionais). Infelizmente, por enquanto, nem a própria gravidade da crise suscitou estas articulações.
