O Canil de Aveiro, nos antigos armazéns municipais não tem condições. A solução poder ser intermunicipal.
“Maus tratos aos animais” e “irregularidades graves” foram algumas das expressões usadas pelo deputado Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda (BE), para denunciar o que, em seu entender, se passa no canil municipal de Aveiro.
Numa conferência de imprensa ocorrida à porta dos antigos armazéns municipais, onde também está instalado o canil municipal, junto à Rua das Pombas, Pedro Filipe Soares, deputado eleito pelo distrito, apontou algumas irregularidades, nomeadamente a permanência dos cães em células sobrelotadas, frias, húmidas, sem contacto com a luz natural, deficiências e, mais grave ainda, as carcaças dos animais abatidos, em vez de serem cremadas como está previsto na legislação, são colocadas em caixotes do lixo e enviadas para o aterro de Taboeira, como lixo normal.
O parlamentar recordou que essas e outras deficiências, foram observadas no canil pela Direção Geral de Veterinária (DGV) numa visita que fez ao canil municipal de Aveiro, em finais de 2011. Apesar disso, “tudo ficou na mesma”, sublinhou o presidente do grupo parlamentar do BE na Assembleia da República.
Depois de realçar que os direitos dos animais previstos na lei não estão a ser assegurados, Pedro Filipe Soares afirmou não aceitar a “chantagem” do executivo municipal aveirense que dá como alternativa o envio dos animais para o canil de Ílhavo e o consequente abate dos animais, já que a “autarquia tem há vários anos um terreno disponível para a construção de um novo canil” e também porque “há várias soluções para o problema, até intermunicipais, que podem ser adotadas”. “É uma questão de boa-vontade”, rematou.
Autarquia defendeu
solução intermunicipal
Em finais de Dezembro do ano passado, altura em que a Câmara Municipal de Aveiro tinha sob a sua responsabilidade cerca de 160 cães e 90 gatos, a vereadora Maria da Luz Nolasco referiu, numa reunião da Assembleia Municipal de Aveiro, que a resolução para o canil aveirense passava por uma solução intermunicipal.
A situação do Canil Municipal de Aveiro também foi abordada pelo “Moliceiro”, jornal da Escola João Afonso de Aveiro, que inseriu uma reportagem com alguns dos voluntários que prestam serviço no canil, os quais mostraram preocupação pelo elevado número de abandonos ocorrido no concelho, facto que acarreta elevadas despesas com a alimentação, tratamento veterinário e de higiene com esses animais, tanto no canil como nos espaços das associações que recolhem e tratam animais. Mas, mais grave ainda, é “não saberem se os animais estão a ser encaminhados para o canil de Ílhavo, para abate”. Para esses voluntários, a solução passa sobretudo “pela educação da população e pela esterilização em massa”.
Assembleia da República
aprovou resolução
Em 25 de fevereiro de 2011, a Assembleia da República aprovou uma resolução que recomendava ao governo que “promova uma política de não abate dos animais errantes recolhidos nos centros de recolha oficiais, adotando, nomeadamente, meios eficazes de controlo da reprodução” e que “reforce a fiscalização e avance com o licenciamento dos centros de recolha oficiais, assegurando que são cumpridas as normas de saúde e bem-estar animal”. A resolução preconizava ainda outras medidas como a esterilização a “preços simbólicos” dos animais recolhidos, “a realização de campanhas de sensibilização pública e dos detentores de animais contra o abandono” e a “adoção responsável dos animais recolhidos nos centros de recolha oficial”.
Cardoso Ferreira
