Revisitando o Vaticano II A morte de João Paulo II provou à saciedade como a sua figura atingiu um vigor de referência e unidade inimagináveis, a sua estatura moral e espiritual se tornaram um serviço inestimável à Humanidade.
Esta ocasião poderia suscitar o aprofundamento da reflexão sobre a missão do Papa, enquanto Bispo de Roma e cabeça do Colégio Episcopal, ou seja, a questão do primado. A lucidez e a humildade de Karol Wojtyla levaram-no a retomar o tema na encíclica “Ut Unum Sint” (n.ºs 88 a 95). Na perspectiva ecuménica, o Santo Padre termina deste modo, citando as suas próprias palavras ao Patriarca Ecuménico Dimítrios I: “O Espírito Santo nos dê a luz, e ilumine todos os pastores e os teólogos das nossas Igrejas, para que possamos procurar, evidentemente juntos, as formas mediante as quais este ministério possa realizar um serviço de amor, reconhecido por uns e por outros.”
João Paulo II convida, depois (n.º 96), responsáveis eclesiais e teólogos a instaurarem com ele “um diálogo fraterno, paciente”, no qual, postas de lado polémicas estéreis, se possam ouvir mutuamente, procurando apenas a vontade de Cristo, para se deixarem penetrar pelo seu grito: “Que todos sejam um (…), para que o mundo creia que Tu Me enviaste” (Jo.17,21).
O desafio permanece – “Tarefa imensa, que não podemos recusar, mas que sozinho não posso levar a bom termo.”- dizia o Santo Padre. Seria uma excelente homenagem ao Papa, que nos deixou, retomar os textos da Constituição Lumen Gentium (n.ºs 18 a 23 e a respectiva Nota Prévia Explicativa) e do Decreto Christus Dominus (n.ºs 2 a 7), em perspectiva pastoral, para redescobrir e aprofundar a doutrina.
Até porque, quanto sabemos, não foram muitos os que tomaram a peito este pedido. A memória de Karol Wojtyla merece que outros se juntem a J R. Quinn, arcebispo de São Francisco (Califórnia), que fez questão de entregar pessoalmente a Sua Santidade o seu contributo – o livro “Reforma do Papado”.
Querubim Silva
