Descoberto fresco na Igreja Matriz de Ovar

Foi descoberto um fresco datado de 1727 na “parede do fundo, por detrás da imagem do Senhor dos Passos, no interior da Capela do Pretório (Passos da Igreja Matriz de Ovar)”, revela o padre Manuel Pires Bastos, pároco de Ovar, na última edição do jornal “João Semana”, daquela paróquia.

A descoberta desse fresco, que resultou do trabalho que o artista plástico Marcos Muge, em colaboração com o padre Manuel Pires Bastos, está a realizar no interior daquela capela, foi acolhida com expectativa. “Só temos que nos congratular e esperar que o artista, com formação em conservação e restauro nesta especialidade, consiga restaurar convenientemente esta obra de arte, que valoriza ainda mais o nosso riquíssimo património artístico, chamando a atenção para a necessidade de mais vigilância e de uma mais cuidada e rápida intervenção em algumas das sete Capelas onde a talha se apresenta com elevado grau de deterioração”, sublinha o pároco ovarense.

O padre Manuel Pires Bastos realça que os frescos “surgiram não nas paredes laterais, sobrepostas e escondidas por imponentes painéis de talha dourada, mas na parede do fundo, por detrás da imagem do Senhor dos Passos, porque a parede, aí, estava revestida de corticite, pintada de branco, [pelo que] foi fácil fazer uma prospeção ao nível da base e, utilizando processos adequados, remover cuidadosamente não só essa desastrada aplicação, mas também alguns repintes que se sobrepuseram, ao longo dos séculos, à primitiva pintura a fresco, a qual, embora agredida pelo tempo e por intervenções inadequadas, nos oferece uma tonalidade azul que nos encanta”.

A descoberta da data 1727 na Capela do Pretório, “documenta a época da construção daquela Capela, que como já se supunha, se antecipou algumas dezenas de anos às restantes”, escreve o ároco vareiro. A quinta capela tem gravada a data de 1754.

C.F.