Questões Sociais No último artigo, chamou-se a atenção para medidas de política de emprego menos dispendiosas e mais autónomas do que as verificadas no passado e anunciadas para o futuro. É longa a lista de medidas recomendáveis. Refiro apenas algumas: ideias de negócio; cadeias de comercialização; criemprego; formemprego; potencialidades das necessidades; economia social; desenvolvimento local; economia plural. Hoje aborda-se a primeira, de maneira sumária.
Consideram-se ideias de negócio, ou de investimento, as hipóteses de atividades remuneradoras do trabalho e de outros factores; cada ideia pode consistir na simples indicação de um negócio possível, ou conter mais informações úteis. As ideias podem surgir de comerciantes e outros empresários, de instituições de crédito, de estudiosos, dos contributos, formais ou informais, de pessoas interessadas… Em qualquer caso, recomenda-se que a recolha e difusão de ideias de negócio seja praticada em todas as localidades e em todos os meios sociais interessados; as paróquias, as escolas, os grupos de desempregados, os sindicatos, as associações empresariais são algumas das entidades a ter em conta. É necessário criar um verdadeiro mercado (no sentido positivo) de ideias de negócio que inundem a nossa sociedade como inspiradoras de atividades geradoras de emprego; mesmo não sendo aproveitadas na prática, podem suscitar outras.
Parece recomendável a existência, a nível nacional, de uma unidade de ação dinamizadora deste processo; tal unidade não deveria constituir um novo organismo público ou privado mas, tão somente, uma parceria das várias entidades responsáveis. Entre estas poderiam incluir-se organismos públicos de apoio a empresas, ao emprego e formação profissional (já com experiência na matéria), à exportação, ao comércio em geral, bem como organizações empresariais, peritos em comércio interno e externo, instituições financeiras, instituições de ensino e de investigação, organizações da economia social… No âmbito da Igreja, a Cáritas Portuguesa acha-se bem posicionada para tomar parte nesta parceria ou para dinamizar um processo autónomo, no caso de não surgirem outras entidades motivadas para tal.
