D. António encontrou-se com a comunicação social “Há dois aspectos preocupantes na região de Aveiro: o desemprego e a criminalidade”, disse D. António Marcelino, num encontro com a comunicação social, realizado na sexta-feira, a propósito do 39º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se comemora no dia 8 de Maio (ver página 12). O Bispo de Aveiro manifestou-se preocupado com o desemprego e referiu o caso da Yasaki Saltano, que se prepara para despedir meio milhar de trabalhadores. Situando-se em Ovar (diocese do Porto), os despedimentos dessa empresa afectam, no entanto, muitas famílias do norte da diocese de Aveiro.
Outro assunto a merecer atenção foi a criminalidade e a insegurança. “Com muita frequência, demasiada frequência”, realçou D. António, tem havido casos de mortes violentas, sequestros, assaltos e violência familiar. Sem dados oficiais, o Bispo de Aveiro fundamentou a sua percepção nos casos que têm chegado à comunicação social e em outros que não chegam, mas que se conhecem, como a violência (física ou psicológica) entre pais divorciados, por causa da custódia dos filhos.
Bento XVI “vai criar muitas surpresas”
No diálogo com os jornalistas, foram ainda abordadas questões como o ISCRA e o novo Papa. A escola da diocese aguarda aprovação do Ministério do Ensino Superior, para oferecer as licenciaturas em Ciências Religiosas, Arte Sacra e Património Cultural. Entretanto, o ISCRA avança com pós-graduações. Sobre Bento XVI, D. António afirmou que “vai criar muitas surpresas”. Reconheceu que Bento XVI tinha má imprensa por ter ocupado o cargo de “guardião das coisas essenciais”, isto é, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; no entanto, “o cardeal Ratzinger sempre convidou ao diálogo”. Como exemplo das surpresas que podem estar para vir do Vaticano, o Bispo de Aveiro referiu a situação dos recasados (fala-se que os recasados sem culpa no divórcio poderão comungar), a discussão sobre o primado do Papa (questão crucial para o diálogo ecuménico) e a alteração da “aposentação” dos bispos, dos 75 para os 80 anos. Este último aspecto foi o pretexto para D. António referir que, em Setembro, quando completar os 75 anos, de acordo com a legislação canónica actual, pôr-se-á à disposição do Papa, e poderá deixar a diocese dentro de um ou dois anos, “como é normal”.
