Uma pedrada por semana Vem-se dizendo, em diversos tons, que os novos pobres são os desempregados que já não tinham trabalho ou agora o perderam inesperadamente. As soluções que para eles se procuram à base de subsídios são tão precárias como precária era e é a sua vida.
A economia, à medida que se desumaniza, faz vítimas humanas. O que devia ser um serviço a todos, porque é fruto do trabalho de todos, foi-se tornando uma luta. Para uns é a ânsia de ter sempre mais, para outros defender o que lhes é devido por justiça.
Lamentações, discurso sobre a crise, medidas avulsas, guerras partidárias, revoltas sopradas de fora, não vão ao fundo dos problemas, por isso os não resolvem.
A pobreza da sociedade não é de bens materiais. É de valores morais, de não reconhecimento, por igual, da dignidade das pessoas e dos direitos fundamentais, de falta de solidariedade efectiva e permanente. Resulta da contínua implementação de compadrios, de se fecharem os olhos a formas vergonhosas de corrupção, de se ler a importância das pessoas pelo seu dinheiro e poder. Os pobres ficam sempre mais pobres. Aos ricos não falta quem os proteja. É uma forma de pagar favores recebidos, ou com esperança de os receber, a seu tempo, como recompensa dos agora prestados.
Militantes nacionais da Liga Operária Católica, reunidos há dias, em Aveiro, fizeram o seu diagnóstico. Dizem-se e são, de facto, homens e mulheres que não se deixam vencer pelo desânimo, dispostos a irradiar os ideais de justiça, que são os do Evangelho. Falam de sentimentos do medo e da insegurança dos que ainda trabalham, e do drama que aterroriza os desempregados, homens e mulheres, que vão perdendo horizontes de vida. E denunciam que não são apenas os bancos e as grandes empresas a precisar de apoio.
Sublinham, por fim, a necessidade de que todos, pessoas e associações, se envolvam nesta batalha de sobrevivência e de reposição da justiça social.
Sei da justeza da sua análise, da dor solidária da sua militância, do compromisso da sua luta pela justiça. Estou com eles e com os que, com eles e como eles, lutam e sofrem. Todas as causas da justiça devem ser causas da Igreja e dos discípulos de Cristo.
