Desenvolvimento local – iniciativa

Questões Sociais No final do artigo anterior perguntava-se a que entidades incumbe desencadear um processo de desenvolvimento local, em cada freguesia? – Dir-se-á que não existem normas nem limites neste domínio: A iniciativa pode vir da junta de freguesia, da paróquia, de associações, empresas, outras instituições ou grupos de pessoas…Mas recomenda-se que, uma vez tomada a iniciativa de desenvolvimento local, se constitua, tão cedo quanto possível, a comissão promotora; recomenda-se igualmente que a comissão seja tão representativa quanto possível de todas as entidades existentes e zonas geográficas da freguesia.

Como é evidente, as atividades da junta de freguesia e de outras entidades contribuem para o desenvolvimento; a junta acha-se especialmente comprometida neste domínio, uma vez que visa o bem comum, e os seus membros são eleitos pelo povo. Acresce que a assembleia de freguesia, órgão mais amplo e também de base democrática, pode garantir uma participação mais alargada. Convém, no entanto, não esquecer que o desenvolvimento local não se limita ao âmbito das competências das juntas de freguesia nem de outros órgãos autárquicos; na verdade, ele abrange todas as dimensões da existência humana, e implica a participação de todas as pessoas e outras entidades interessadas (cf. a encíclica de Paulo VI «Populorum Progressio», 1967).

Qualquer que seja a entidade que desencadeia o processo de desenvolvimento, e qualquer que seja a composição da comissão promotora, é indispensável que esta funcione democraticamente e em parceria, com todos os membros em pé de igualdade, qualquer que seja o poder das entidades representadas.

Qual o papel das paróquias nestes processos? – Note-se, antes de mais, que as paróquias são, desde o seu início, instituições promotoras do desenvolvimento local; atuam, particularmente, nas dimensões religiosa, cultural e social mas, não raro, também atuam na económica, nas infraestruturas e noutras. Recomenda-se naturalmente que as paróquias sejam fiéis a esta vocação e práticas originárias; mas não se recomenda que se apresentem como líderes dos processos de desenvolvimento local, salvo quando outras entidades não tomam a iniciativa ou quando o representante da paróquia for eleito para presidir à comissão promotora.