Pelo “Movimento Vida Mais – Voluntariado Diocesano”, fui convidada a assistir a uma “Desfolhada à Moda Antiga”, no dia 25 de Setembro. Foi muito interessante. Os participantes eram os idosos e o pessoal de várias instituições, além de voluntários e amigos, totalizando cerca de 250 pessoas.
Teve lugar numa quinta pertencente à Família Laranjeira, em Roçumil, Avanca. Ainda há muita gente boa e sã que gosta de ajudar e dar, e que abre as suas portas.
Naquele espaço enorme, cheio de chapéus, pincelado com lenços do Minho e coletes encarnados, respirava-se vida e alegria. A música popular portuguesa convidava a ter mais entusiasmo na desfolhada do milho, com ritmo alegre.
Foi um espectáculo muito pitoresco, em que só uma parte da cor se poderia captar, mesmo que as fotos fossem publicadas a cores. Todas as outras sensações que se experimentam, ao olharmos para o trabalho de tantas pessoas que se dedicam aos outros desta maneira tão generosa, só mesmo Deus saberá apreciar.
A tarde foi decorrendo sem dar-mos conta. Aqui e acolá passava o “aguadeiro” com o cântaro de água fresca a oferecer a uns e outros. Os cestos de verga iam-se enchendo de maçarocas de milho e as pessoas trocavam gargalhadas e reviviam tempos da sua mocidade, nos trabalhos com familiares e amigos.
De vez em quando, alguns levantavam-se e dançavam, porque ouviam uma “modinha do seu tempo”.
– “Ora aí, ó Ti João” – disse uma das senhoras.
– “Esta é para nós. Então não se lembra desta?”
E continuava a dançar desafiando o resto do grupo.
Mais à frente, a Sr.ª Rosa dizia: “Assim é que é bom! Desfolhada à tarde. Quando eu era nova tinha de ir desfolhar à noite e ficava morta de cansaço. O que valia era a regueifa e o copito que nos ofereciam no final!”. E continuava a cantarolar: “Quem tem milho rei, quem tem, quem será? Qual a maçaroca que a sorte dará?…”
Eduarda Manuela Campos
