Desistir? Nunca!

O desencontro entre o Ministério da Educação, entre o Governo, e o País continua com manifestações constantes e de profunda gravidade. A par da tentativa de estrangulamento da iniciativa particular e cooperativa como integrante do serviço público de educação, vem agora a questão da revisão curricular do Ensino Básico e Secundário.

Ao inverso do que vai acontecendo em países que estão na primeira linha do sucesso educativo (Japão, Nova Zelândia, Coreia do Sul, países nórdicos…), que apostam na partilha da tarefa educativa pela sociedade civil, num vasto leque de possibilidades, acrescido com uma autonomia curricular real, as tendências centralizadoras e monopolistas são a filosofia que preside às políticas governamentais em Portugal, sem grande distância de um figurino estalinista.

E, mais grave: não se tecem considerações pedagógicas em torno da problemática da Educação, em busca de rumos acertados, que resultem não apenas em sucessos escolar, como também em verdadeira capacitação de homens e mulheres que sonhem, desenhem e construam o nosso futuro.

Na realidade, quem dirige as políticas educativas é um cego Ministério das Finanças, que corta sem dó nem piedade em questões fundamentais, sem atender – porque não o pode perceber – ao que seja formar as novas gerações. Pior: é legítimo suspeitar que essa “frente de batalha” para regular as contas públicas esconde intenções mais subtis de formatar ideologicamente os cidadãos.

Começamos a ver professores, assistentes operacionais, pais e alunos, perplexos e desmotivados, interrogando-se os primeiros sobre o seu futuro profissional, questionando-se sobre o futuro de tantos projectos educativos, perguntando-se os segundos sobre a liberdade que lhes assiste de serem os primeiros e irrenunciáveis educadores dos filhos.

“Desistir é proibido” – exclamava recentemente D. António Marcelino. É isso mesmo: não podemos renunciar a direitos fundamentais! Não estão apenas entrar despudoradamente no bolso dos mais pobres! Estão a roubar-nos a liberdade, estão a encurralar-nos numa debilidade de forças, para esmagar com o poder toda a possibilidade de reacção!

Urge reunir forças, potenciar sinergias, imaginar alternativas, para que o poder não seja mais dominação, mas serviço; para que não seja mais “iluminação” de uns tantos rotulando a multidão de incompetência e ocultismo! Desistir? Nunca!