“Deu a vida como pedagogo e pastor”

Padre João Mónica da Rocha (1941-2009) Excertos da homilia de D. António Francisco, Bispo de Aveiro, no funeral do P.e João

Obrigado Padre João Mónica!

Uma vida inteira não se encerra numa palavra, não se fecha na memória nem tão pouco se devolve ao tempo que já passou. Uma vida dada é um tesouro que se guarda, é uma semente que germina, é uma luz que acorda a manhã, é o anúncio definitivo da Páscoa, é a certeza perene da ressurreição.

Assim a vida do Padre João Mónica. (…) Deus foi cinzelando nele desde o berço traços indeléveis de inteligência, de carácter, de valor e de virtude que fizeram do Padre João um cidadão íntegro, um sacerdote exemplar e um mestre prestigiado.

Lembro a sua Mãe, verdadeiro centro e coração da unidade e da comunhão entre todos, que há dois anos nos deixou e agradeço às suas irmãs e demais família o carinho inexcedível, o desvelo constante e a presença permanente com que sempre o envolveram.

Consciente de que a vida vale na medida em que tem um sentido nobre e um ideal superior, o Padre João Mónica procurou dar a vida aos outros vivendo o seu carisma como pedagogo e pastor. Nele não havia rupturas, dicotomias ou descontinuidade. No Colégio e na Paróquia, no Presbitério e na comunhão nunca beliscada com os seus bispos, na mestria e competência de educador, no zelo pastoral, na sensibilidade para a acção social e na defesa intransigente da liberdade, da cidadania responsável, do desenvolvimento das pessoas e do progresso das terras, o Padre João um servidor incansável do bem por amor de Deus e ao serviço dos irmãos.

Quantas gerações lhe devem o que hoje são! Quantas Escolas em Portugal encontraram nele o defensor esclarecido e o arauto corajoso dos direitos do Ensino Particular e dos valores indeclináveis da Escola Católica!

Este último ano foi para ele um tempo de longa e dolorosa via-sacra de sofrimento que o Padre João procurou viver com o mesmo sentido de missão: “Saboreai e vede como o Senhor é bom” era o refrão do salmo responsorial de há quinze dias e que hoje [4 de Setembro] foi de novo cantado. Deste salmo ele fez o hino mais belo de louvor a Deus, dizendo-me nesse mesmo domingo em que o visitei no Hospital, em Coimbra, que Deus lhe revelara este sabor e esta beleza, ao associá-lo ao seu sofrimento redentor.

Quis o Padre João Mónica que lhe administrasse a santa Unção e desejou chamar toda a Família, pois não queria esconder a graça de um sacramento recebido, mas desejava partilhar com os mais próximos a certeza de que o encontro com Deus se avizinhava.

Quando sobre ele tracei a bênção sacramental senti que lhe devia beijar as mãos ungidas para lhe agradecer a vida dada a esta Igreja de Aveiro para quem foi sempre uma bênção.

Antes de adoecer tinha-me manifestado um sonho, quase em jeito de pedido e como consciência de desígnio sacerdotal da sua vida. Aqui vo-lo deixo para que façamos deste sonho do Padre João Mónica a missão de cada um de nós e de todos os dias:

“Quando me reformar do Colégio, senhor bispo, quero que me deixe dedicar por inteiro à ajuda e ao acompanhamento espiritual dos sacerdotes e ao trabalho da pastoral vocacional. Sinto que é isso o que mais gosto de fazer e o que Deus mais me pede”.