“Deus me tomou pela mão e me conduz”

“Dia da Igreja Diocesana é dia de revisão de caminhos andados e propósitos formulados, de voltar ao essencial da missão, de descobrir a Diocese como a Igreja na sua expressão de universalidade e vivência em comunhão, como família alargada e próxima, sempre necessária para se sentir a alegria da fé e a certeza de que se procura o caminho certo, na ligação afectiva e efectiva ao Bispo que preside à comunhão. Comunhão eclesial onde não cabem individualismos estéreis, projectos paralelos, indiferenças inúteis, cisões perigosas, onde todos, sem excepção, têm reconhecido o seu lugar e mérito”.

Esta citação longa da homilia do Bispo de Aveiro, no domingo, 12 de Junho, revela o principal motivo que congregou milhares de cristãos na Avenida das Tílias do Parque de Aveiro. Da “planície da Ria” e dos “contrafortes do Caramulo”, das “produtivas terras bairradinas” ou “das terras banhadas pelo Vouga” – expressões de Monsenhor João Gaspar no início da celebração –, vieram os cristãos, porque o modo de ser católico é em diocese, à volta do seu Bispo.

Claro que havia muitos outros motivos: o encerramento do Congresso Eucarístico, várias iniciativas juvenis e as Bodas de Ouro Sacerdotais de D. António Marcelino, a que o próprio Papa, irmão no episcopado, se associou na mensagem lida no início da Eucaristia (ver pág. 3) – “um gesto fraterno que me confunde”, disse o Bispo de Aveiro. Mas todos estes motivos têm centro e só fazem sentido na Comunhão, o mistério da amizade de Cristo, a que o Bispo preside e de que é o primeiro sinal, o “Pão Partilhado”, “dom recebido”, “acção que gera fraternidade”.

Na celebração, em Ano da Eucaristia, foi lida a partilha dos congressistas (ver pág. 5) e D. António Marcelino alertou para a “erosão vertiginosa” a que o domingo e a celebração da Eucaristia nem sempre têm resistido. Em acção de graças pelos 50 anos de Ordenação e Missa Nova (9 e 12 de Junho de 1955), o Bispo de Aveiro afirmou: “Sempre senti, vo-lo digo com a simplicidade de um irmão, que, tal como ao profeta, Deus me escolheu, me chamou, me enviou, me tomou pela mão e me conduz, cada dia, com desígnios de salvação”. E, apresentando o seminarista José Carlos Gabriel, candidato ao diaconado, disse aos jovens: “O apelo de Jesus para que O sigam, é um apelo diário, que devem sentir e ouvir na vida concreta. Não se pode desvalorizar nem esquecer. Ele tem, com o amor de Quem chama, a exigência e a graça de uma resposta livre, que não admite limites nem condições, bem como o horizonte de uma generosidade viçosa, que liberta de atavios que paralisam e proporciona uma felicidade crescente”. A celebração, com tantos momentos, durou cerca de três horas. Três horas em que esteve concentrada toda a diocese.