Presidente do ISCIA considera negativo que a investigação científica e os mestrados fiquem limitados às universidades.
Armando Teixeira Carneiro, presidente do ISCIA – Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração, na cerimónia que assinalou o dia do ISCIA, teceu fortes críticas ao sistema que rege o ensino superior e à concretização do EEES – Espaço Europeu de Ensino Superior (vulgarmente designado por “Bolonha”).
“As instituições de ensino superior são e devem ser prevalecentes na investigação científica, pura e aplicada, mas esta não deve só desenvolver-se nelas, nem as suas funções se esgotam nesta. Em Portugal, a função pedagógica continua a ser, ao longo de anos e anos, negligenciada. Continua-se a viver nos conceitos do século XIX de que para a docência a nível superior bastaria o domínio da área científica a leccionar”, referiu Teixeira Carneiro, para quem o ensino superior “não pode ser um mero apêndice operacional de segunda ordem, da «investigação», mas ter um diferente estatuto, que, mais do que provavelmente, melhor seria se integrado num alargado Ministério da Educação, como, aliás, ocorre em quase todos os países europeus”.
O responsável da escola aveirense realça que, “nas grandes instituições nacionais de ensino universitário, vários docentes sentem-se desmotivados para a sua «função docente» e «recolhem-se», com ou sem qualificações e, muitas vezes, sem motivação e vocação para tal, em projectos de investigação. A docência e a investigação são duas funções vitais, que, nas instituições de ensino superior, têm entre si uma interface importante, ainda que diferenciadas, e de igual valia”.
“As «redes de conhecimento» que as novas tecnologias e a crescente globalização permitem – e o EEES é apenas uma das super-estruturas em formação – serão as vias directas e rápidas de superação dos constrangimentos corporativos e “lobbistas” que por cá polulam”, afirma Teixeira Carneiro. Nessa perspectiva, o ISCIA não hesitará em reforçar desenvolvimentos estratégicos, até porque a escola é independente em termos financeiros”. “Não dependemos em nada, no aspecto financeiro, do Estado. O Orçamento Geral do Estado não contribui com qualquer parcela directa para o ISCIA. Dependemos apenas da contribuição financeira dos nossos estudantes, que pagam as suas próprias propinas, ao seu real custo. A eles devemos responder com oportunidade, qualidade e modernidade”, afirma Teixeira Carneiro.
Quanto à “oportunidade”, o responsável pelo ISCIA afirma: “Temos sido prejudicados pelos atrasos que o “aggiornamento” da estrutura do ensino superior sofre”. O ISCIA é ainda penalizado “pelo não lançamento de cursos novos, criteriosamente bem delineados e com mercados assegurados. O bloqueamento, até agora, nas instituições de ensino superior politécnico, públicas ou privadas, dos cursos de 2º ciclo – os mestrados – é preocupante e pouco compreensível”. Em substituição dos bloqueados cursos de mestrados, o ISCIA vai lançar cursos de pós-graduação “através dos quais os alunos possam adquirir as mesmas necessárias competências profissionais mas também receber os correlativos graus por quem esteja em condições para lhos dar”.
Para Teixeira Carneiro, o “EEES conduz a um estádio de circulação de aprendentes mas também terá de conduzir a um estádio de circulação de docentes. E isso vemo-lo dificultado por «barbacãs» e «muralhas» que os grandes centros de ensino superior público constroem à sua volta. Para depois, ou simultaneamente, pelos «apertos financeiros impostos», também cegos muitas das vezes, despedirem ou não renovarem contratos com pessoal docente. Mas isso é outro problema, que só nos toca por, com marcada frequência, não podermos utilizar a alta qualidade científica e pedagógica e a alguma disponibilidade de muitos docentes portugueses”. Esse facto levou o ISCIA a fazer protocolos com instituições de ensino superior da Europa e dos Estados Unidos da América, de que é exemplo o protocolo assinado nesse dia com o Centro Universitário Villanueva da Universidade Complutense de Madrid.
ISCIA nasce em Baião
O ISCIA assinou um protocolo com a Câmara Municipal de Baião, concelho onde o instituto aveirense irá, brevemente, iniciar actividades lectivas na Casa de Chavães, ministrando curso de pós-graduação e de formação avançada.
De recordar que o actual presidente do executivo municipal de Baião, José Luís Carneiro, foi docente do ISCIA, no qual criou o OCRI – Observatório para o Comércio e Relações Internacionais.
