Questões Sociais O 1º. de Maio – «dia do Trabalhador» – é um forte convite à promoção do trabalho digno. Esta promoção implica, nomeadamente: incentivar a concertação social; criar trabalho; melhorar o subsídio de desemprego; dignificar a formação profissional; valorizar a escola; e redescobrir a empresa .
A concertação social, ou entendimento nas relações laborais, sempre existiu, de maneira formal ou informal, tanto na empresa como na negociação colectiva e na concertação social tripartida (com representantes dos trabalhadores, dos empresários e do Governo); há que mantê-la, aperfeiçoá-la e difundi-la por toda a parte. A criação de trabalho acontece todos os dias, e todas as pessoas dispõem de potencialidades para nela participar; importa agora congregar esforços para que, no futuro, prevaleçam as intervenções solidárias e eficazes.
A melhoria do subsídio de desemprego, tão necessária, deveria respeitar não só às prestações pecuniárias mas também à esfera cultural e à comportamental, através da motivação permanente para o trabalho digno. A dignificação da formação profissional implica a sua melhoria qualitativa e o melhor ajustamento às necessidades, bem como o reconhecimento efectivo de que ela emana do trabalho e se reflecte nele; na mesma ordem de ideias, não deveria ser reduzida a mera ocupação nem à reprodução do modelo escolar.
A valorização da escola é um processo inciado há séculos, e intensificado nas últimas décadas, apesar de todas as oscilações e conflitos; agora, na perspectiva do trabalho, recomenda-se que ela se interligue com o mundo laboral, em processo permanente de enriquecimento mútuo. A redescoberta da empresa desafia-nos a assumi-la como espaço de cooperação, em ordem à prossecução de objectivos comuns, quaisquer que sejam as posições relativas ao sistema económico e à repartição de rendimentos; a própria luta de classes precisa de salvaguardar a identidade e potencialidades da empresa, sob pena de prejuízo e retrocesso generalizados, porventura irreversíveis.
Porque o dia do trabalhador coincide com a festa de S. José, carpinteiro, tem toda a pertinência relevar a conciliação das virtudes e virtualidades típicas de S. José, do sindicalismo e do patronato, em contextos empresariais que resistam a pressões destruidoras.
