Dia inesquecível em Oiã na conclusão da visita pastoral

A visita a Oiã terminou numa grande manifestação da paróquia, como que concluindo uma vaga de fundo. “Vós fizestes-me um de vós”, disse o Bispo de Aveiro.

“Que eu saiba merecer a comunidade que vós sois”. Com estas palavras encerrou o bispo de Aveiro, D. António Francisco, a visita pastoral à freguesia de Oiã, que decorreu durante dez dias, satisfeito com o acolhimento, o carinho e as manifestações de muito apreço que lhe foram prestadas nas visitas que fez às capelas de todos os lugares, pelas comissões de culto, pelos dirigentes das associações de solidariedade social, pelos professores e alunos nas visitas às escolas, pelos médicos e funcionários tanto da extensão de saúde, como da clínica, também pela autarquia na visita à nova sede; satisfeito com a participação de muitas pessoas nos vários encontros: oração Taizé, crismandos, associações de toda a freguesia, agentes da pastoral litúrgica, comissões administrativas das capelas e Conselho da Fábrica da igreja, crianças e adolescentes da catequese, Pioneiros e Caminheiros do CNE, jovens (GPS1e GPS2), grupo coral jovem, etc.

Vaga de fundo. Se foram dias grandes, à excepção do primeiro, depois começou a surgir uma vaga de fundo e pode dizer-se que a visita terminou em grande no último domingo. Foi por assim dizer o dia maior, de muito encanto, de muita alegria e convívio, pautado por gestos muito significativos. Cerca das 9h30 formou-se um cortejo a partir do Cruzeiro que, trânsito fechado ao trânsito, evoluiu de forma ordenada, tendo sido ao centro da rua feito um magnífico tapete de flores e verdes que se deve ao brio e empenho dos catequistas e não só. Na frente, os estandartes da maior parte das associações, escuteiros, catequistas, corpo de acólitos de todos os lugares; a fechar o pároco, Padre Mário, um homem feliz, e D. António Francisco visivelmente emocionado por tanta coisa bonita que viveu e sentiu e estava acontecendo e iria acontecer. E muito povo. À chegada ao Largo de S. Simão, o bispo soltou tantos balões quantos os lugares e plantou uma das dez oliveiras que vão ser plantadas em todas as freguesias do arciprestado de Oliveira do Bairro, como sinal de luz e de esperança.

Feita a plantação a muitas mãos, seguiu-se a celebração eucarística, ao ar livre, no referido Largo, presidida por D. António Francisco, tendo concelebrado o pároco, o padre Francisco José Oliveira Martins, natural de Águas Boas, responsável pela Pastoral Familiar, e o padre José Carlos, secretário do Bispo de Aveiro.

D. António Francisco deixou duas mensagens oportunas e apropriadas: “Sejam corajosos mensageiros do Evangelho”, sejam o sal que, à medida, preserva da corrupção os valores de que os cristãos devem ser portadores e transmissores, a fé na caridade e a esperança na verdade.

Presentes os presidentes da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro e Junta de Freguesia, respectivamente, Mário João Oliveira e Dinis Bartolomeu. O largo estava repleto de fiéis que, além de cumprirem o dever dominical, queriam ouvir mais uma vez, o peregrino que se fizera um deles, irmão entre irmãos.

A parte da tarde foi também muito festiva. Houve almoço partilhado na tenda montada no Largo do Cruzeiro (não fosse chover), com grande afluência de pessoas, que conviveram entre todos e com o bispo. Correu muito animado e nada faltou. Entretanto, a partir das 15 horas, houve parte musical com a colaboração do Grupo de Cantares do Silveiro e Bairrada Ribeirinha e uma encenação levada a cabo pelos catequistas, com uma óptima ajuda do tempo quente.

Livre o palco, a encerrar a visita pastoral, seguiram-se algumas intervenções. Dinis Bartolomeu mostrou satisfação pela presença e disponibilidade do bispo em terras de Oiã e certo de que a freguesia está a ser renovada espiritualmente. Mário João Oliveira mostrou-se contente por ter recebido nos Paços do Concelho o prelado, onde lhe deu conta do andamento dos investimentos, mas salientou que “as obras de mais relevância são as pessoas”. Também confessou que ficou “com o sentimento de que há tanto ainda que fazer”. “As tarefas são imensas e as populações ambicionam muito mais”, acrescentou. Em nome da comissão da fábrica da igreja e da freguesia, usou da palavra o signatário.

D. António Francisco era um homem feliz e agradecido por tanta coisa boa que viu e viveu, como “muitos testemunhos de fé”, “a fé renovada que abre os caminhos do amanhã”, alertando para a necessidade de bem acolher os que de fora vêm estabelecer-se na freguesia e que considerou “os herdeiros do vosso amanhã, há que saber ir ao seu encontro”. Ele que tinha chegado a Oiã “com o desejo de ser o bom pastor”, confessou, comovido: “Senti-me bem no meio de vós”; “vós fizestes-me um de vós”.

A festa terminava com a entrega, em nome da paróquia, de um presépio (Porcel) pela Ana Vila, prestes a fazer 94 anos, com uma largada de balões que ficaram a florir numa árvore e numa largada de pombas, num sinal de alegria e união entre todas as famílias (lugares) e a grande família, a paróquia.

Armor Pires Mota