Diabetes pode afectar gravemente a sexualidade

Nos próximos anos, o número de diabéticos duplicará Uma sexualidade saudável faz parte do bem-estar e da felicidade do casal, pelo que o diabético não pode acomodar-se e deixar-se vencer pela doença, devendo ir ao médico sem vergonha e sem complexos

Sexualidade e Diabetes foi tema de uma conferência proferida no Museu Marítimo, na sexta-feira, por iniciativa da Associação de Diabéticos do Concelho de Ílhavo. Com os seus mais de 180 associados, num universo concelhio de dois mil diabéticos identificados, de todas as idades, esta acção contou com o apoio do Centro de Saúde de Ílhavo, da autarquia que disponibilizou o espaço e da Bayer Portugal SA.

António Canhão, médico especialista em Sexologia no Hospital da Universidade de Coimbra, depois de abordar a vida sexual do homem e da mulher, desde o nascimento até à idade adulta, lembrou que a diabetes, como outras doenças e medicamentos, afectam grandemente a vida do casal.

Referiu que a diabetes se apresenta com sintomas que a denunciam, nomeadamente sede, visão turva, fadiga, urinar muito, perda de peso e de apetite, entre outras, trazendo complicações ao nível oftalmológico, renal, neurológico, cardiovascular e também sexual, tanto no homem como na mulher.

António Canhão, porque considera que uma sexualida-de saudável faz parte do bem-estar e da felicidade do casal, recordou que o diabético não pode acomodar-se e deixar-se vencer pela doença. Ir ao médico, sem vergonha e sem complexos, bem como seguir com rigor as prescrições dietéticas e medicamentosas, torna-se imprescindível e inadiável, para que o doente recupere o seu equilíbrio sexual, deixando-se de mezinhas e de bruxas, afirmou.

Ainda frisou que a sexualidade não é somente afectada pela diabetes, mas também por outros factores, como tensão alta, alcoolismo e obesidade, mas também por medicamentos que curam doenças, mas prejudicam outros órgãos.

João Ramos, presidente da Associação de Diabéticos do Concelho de Ílhavo, informou ser esta a única instituição de Saúde do concelho, tendo lamentado que a autarquia ilhavense ainda a não tenha reconhecido como suficientemente importante para efeitos de atribuição de subsídios.

Em declarações ao Correio do Vouga, adiantou que há bastantes diabéticos que, “por vergonha”, não dão a cara, acrescentando que no concelho há bebés, crianças e jovens com esta doença, “uns identificados e outros não”.

Aquela Associação quer mais associados para poder reivindicar com mais autoridade comparticipações estatais, já que estas “começam a ser postas em causa e podem perder-se”. Disse que em termos de comprimidos estão a ser comparticipados a 100 por cento, mas garantiu que as despesas de um insulino-dependente podem chegar aos 75 ou 100 euros por mês, não totalmente suportados pelo Estado.

O presidente da direcção da associação garantiu, entretanto, que, nos próximos anos, o número de diabéticos duplicará por “força dos hábitos alimentares”, pelo que urge esclarecer as pessoas e lutar para que de futuro estes doentes sejam mais apoiados a nível de comparticipações.

F.M.