Diálogo entre católicos

Questões Sociais Na Encíclida de João XIII «Mater et Magistra» (MM), de 1961, afirma-se o seguinte: «Nas aplicações» da doutrina social da Igreja, «podem (…) surgir divergências mesmo entre católicos rectos e sinceros. Quando isto suceder, que nunca falte a consideração, o respeito mútuo e a boa vontade para descobrir os pontos sobre os quais existe acordo, a fim de se conseguir uma acção oportuna e eficaz. Não nos percamos em discussões intermináveis. Que, sob o pretexto de conseguirmos o óptimo, não deixemos de realizar o bem que é possível e, portanto, obrigatório» (nº. 238).

É evidente que existem divergências muito acentuadas entre os católicos, chegando não raro à exclusão mútua. E, salvo raríssimas excepções, eles não dialogam sobre as suas divergências. Para cúmulo, algumas paróquias, movimentos e grupos caracterizam-se pela conotação com determinadas posições políticas.

As divergências verificam-se, nomeadamente, no domínio político, no laboral e no da acção-intervenção social: no domínio político, os católicos estão dispersos, saudavelmente, por todos os quadrantes; no domínio laboral, uns colocam-se mais na perspectiva dos trabalhadores (por conta de outrem) e outros mais na dos empresários. E, quanto à acção-intervenção social, regista-se uma velha divergência entre a assistencial e a estrutural.

Seria altamente empobrecedor, e lesivo da liberdade humana, a obrigação de posições únicas nos diferentes domínios; porém, não menos empobrecedora é a falta de diálogo entre as diferentes posições. Este diálogo salvaguardaria quatro objectivos, pelo menos: a clarificação da base doutrinária comum; o apoio de rectaguarda ao compromisso nas «realidades terrestres; a eventual obtenção de consensos; e, sobretudo, a prática da comunhão fraterna. Vivendo e testemunhando esta comunhão, actualizar-se-ia melhor o exemplo das primeiras comunidades cristãs. Não se justifica a obsessão na procura de consensos, através de «discussões intermináveis»; tal procura não passa de um caminho entre outros; e convém não perdermos de vista que o diálogo é um processo interactivo, ao longo de toda a vida, que só atinge a sua plenitude na bem-aventurança eterna. Em cada momento da vida terrena, consegue-se o «possível»; nunca o «óptimo»…