Economia Moral e Política
Vítor Bento
Fundação Francisco Manuel dos Santos / Relógio d’Água
112 páginas
Ética – Coleção Inteligência Finaceira
Sarah Pennells
Atlântico Press
134 páginas
A profusão de livros sobre ética e negócios e de cadeiras sobre o mesmo assunto nas faculdades de Economia talvez queira dizer precisamente que há cada vez menos ética nos negócios e na economia. Porque há menos ética, porque cada vez mais vale tudo, é necessário que dela se fale. Mas também há quem defenda que há mais pessoas honestas do que desonestas, que a vida social e económica decorre mais sob o signo da confiança e da verdade do que o contrário. Agora mais do que nunca.
De qualquer forma, é de assinalar o aparecimento em simultâneo de dois pequenos livros que concordam que é de todo conveniente aliar moral e dinheiro. Submeter o dinheiro à ética. Ambos foram distribuídos por publicações de grande difusão: “Economia Moral e Política” com a revista “Visão” e o “Jornal de Letras” e “Ética” com o jornal “Público”.
“Economia Moral e Política”, sem moralismos, preconiza um regresso à união destas três esferas da acção humana contra a razão pragmática e instrumental que tende a separá-las ou mesmo a opô-las. Defende Vítor Bento, professor da Universidade Católica e presidente da SIBS (a empresa no Multibanco), que a moralidade, não necessariamente cristã, é anterior à teoria económica e que, embora esta se assuma como ciência, sendo feita por seres humanos é iniludivelmente ética. Como exemplo, é esclarecedora uma investigação realizada nos EUA. Pediu-se a um grupo de alunos que assinasse um compromisso dizendo “tenho conhecimento de que este inquérito é sujeito ao Código de Honra do MIT”, rasgando-o de seguida. Enquanto um outro grupo não assinou tal compromisso. Na experiência que a seguir fizeram para avaliar o grau de transgressão [Vítor Beto não refere, mas na experiência de Dan Ariely trata-se da possibilidade de roubar pequenas quantias de dinheiro], os do primeiro grupo não transgrediram, enquanto os do segundo sim. Acontece que o MIT (universidade norte-americana) não tem um Código de Honra, o que quer dizer que a simples menção de um referencial ético pode ser suficiente para assumir comportamentos mais correctos. Somos eminentemente éticos.
“Ética” é o oitavo volume da coleção “Inteligência financeira”. Trata-se de uma colecção sobre finanças pessoais, pelo que a ética é abordada na perspectiva dos investimentos. Pretende-se responder a questões deste género: Em que consiste investir eticamente? Qual a ética dos fundos de investimento? Como escolher os investimentos? A resposta resume-se a investimentos “verdes” e socialmente responsáveis, o que parece limitativo. De qualquer forma, como se reconhece, há cada vez mais pessoas interessadas em saber o que realmente acontece ao seu dinheiro quando o deposita num banco. Afinal, “não tem necessariamente de sacrificar o retorno financeiro se investir o seu dinheiro de acordo com os seus valores”.
J.P.F.
