“A sua concretização depende de todos e pertence-nos a todos”, disse o Bispo de Aveiro. Mas passa também para reforma e criação de serviços
Desde o dia 5 de Outubro, quando foi apresentado aos agentes de pastoral no Seminário de Aveiro, a Diocese de Aveiro tem um Plano de Pastoral Sócio-Caritativa. O plano é “fruto de dois anos pastorais centrados na vivência da caridade”, disse o Bispo de Aveiro. “A sua concretização depende de todos e pertence-nos a todos, leigos(as), consagrados(as), diáconos, presbíteros e bispos”, afirmou.
Em concreto, o que diz o Plano publicado numa brochura de 36 páginas e que foi publicamente apresentado pelo vigário para a Pastoral Social, P.e João Gonçalves, numa sessão conduzida pelo vigário para a Pastoral, P.e Francisco Melo? O seu grande objectivo é “estruturar de modo operativo e orgânico a pastoral sócio-caritativa”, porque o amor, a caridade, é sinal distintivo da Igreja. Por outras palavras: fazer com que a caridade na Igreja diocesana avance. “O nosso testemunho e o nosso serviço evangelizador só serão credíveis se conseguirmos tocar com a verdade do nosso viver e com a autenticidade do nosso servir aqueles com quem vivemos para que também eles se sintam chamados a fazer a experiência do amor de Deus”, afirmou D. António Francisco.
O plano apresenta princípios da acção sócio-caritativa (“Fundamentação”), refere “lacunas na acção da Igreja diocesana” (“Situação actual da diocese”), aponta princípios orientadores (parte III), fala de estruturas e organização (parte IV) e aponta os “passos concretos a dar” (parte V, “Caminhos a percorrer”). Vale a pena focar a atenção nestes dois últimos capítulos, os mais concretos, afinal.
Como “Caminhos a percorrer”, referem-se estes, em resumo:
* Reformar o sector da pastoral sócio-caritativa;
* Assumir o Secretariado Dio-cesano da Pastoral Sócio-Caritativa (SDPSC) como coordenador deste sector da pastoral;
* Sensibilizar a Diocese para que as comunidades assumam a caridade como essência da vida cristã;
* Revigorar a Cáritas e fazer com que as comunidades cristãs acolham as suas propostas;
* Unir as instituições particulares de solidariedade social (IPSS) ligadas à diocese e dinamizar um sector que as apoie;
* Envolver mais os diáconos nesta área da pastoral.
Reforma do Secretariado
Para chegar a estas conclusões, o Plano dá largo destaque ao Secretariado Diocesano da Pastoral Sócio-Caritativa (SDPSC). Aponta os seus objectivos e diz que engloba os seguintes departamentos e serviços: 1) Comissão Diocesana Justiça e paz; 2) Serviço Diocesano da Cáritas; 3) Departamento da Pastoral da Saúde; 4) Departamento da Pastoral Penitenciária / Prisional; c) Departamento da Pastoral da Mobilidade Humana; e) Departamento de Apoio às IPSS.
Desta reforma do SDPSC saltam algumas novidades à vista:
– a criação de um Fundo Diocesano de Emergência Social. Não foi esclarecido no que consiste, mas será “símbolo da partilha”;
– a constituição pela Cáritas de um “Observatório Social” que conheça as carências sociais;
– a criação de um departamento de apoio às IPSS ligadas à Diocese.
Este departamento, entre outros aspectos, deverá zelar para que o espírito evangélico caracterize as IPSS, apoiar na decisão dos grandes investimentos, fazer consultodoria (analisar procedimentos, emitir pareceres, promover a avaliação das IPSS, etc.). Deverá ainda “iniciar o estudo sobre a possibilidade de a diocese criar uma central de compras, bens e serviços”. Pelos ecos na assembleia de 5 de Outubro, as medidas foram bem acolhidas.
J.P.F.
“Sujar as mãos na transformação da vida”
Excerto da comunicação do Bispo de Aveiro aos agentes de pastoral, no dia 5 de Outubro.
Ser Igreja da Caridade significa:
. anunciar este Deus que é Pai e Amor que caminha connosco na história e nos conduz para a sua Vida e para a Eternidade;
. denunciar tudo o que impede a realização da dignidade humana e a promoção da justiça social;
. exercer no dia a dia a caridade, em gestos fraternos de acolhimento, em atitudes solidárias de vizinhança, em atenção solícita aos mais pobres, aos doentes e aos que vivem momentos de provação;
. gastar a vida e sujar as mãos na transformação da vida dos homens e das nossas comunidades;
. ser criativo nas respostas novas a dar às novas formas de pobreza;
. estabelecer pontes de diálogo e de harmonia entre fé e razão, fé e cultura e fé e ciência para que a procura de razões de vida e de esperança encontrem respostas e ofereçam luz para os caminhos humanos;
. abrir espaços para a intervenção da Igreja na sociedade como fermento de mudança humana e social e sinal profético e evangelizador no mundo do nosso tempo.
Para ser a Igreja da Caridade, a nossa Diocese precisa:
. Que todos os cristãos sejam formados nesta responsabilidade que advém de sermos filhos de Deus e baptizados em Cristo;
. Que as comunidades no seu todo, assumam o exercício da caridade, como verdadeiro ministério dos servidores das bem-aventuranças;
. Que as nossas comunidades cristãs sejam porta que se abre aos que nos procuram e porto de abrigo onde se possam ancorar os que vivem sem pão, sem casa, sem paz e sem esperança;
. Que as estruturas da caridade vivam com responsabilidade, competência, rigor e humanismo cristão este exercício da caridade, primando pela qualidade, rectidão e eficácia das suas funções;
. Que estas estruturas e serviços diocesanos se organizem de forma coordenada e operativa na entreajuda e na complementaridade para que se rentabilizem os recursos e se optimizem os frutos do trabalho realizado.
D. António Francisco
