Dioceses de Portalegre – Castelo Branco e Viseu preocupadas com despedimentos

As dioceses de Portalegre-Castelo Branco e Viseu mostram-se preocupadas com despedimentos que a Johnson Controls vai fazer em Nelas (distrito e diocese de Viseu) e em Portalegre, onde tem duas unidades que produzem para o ramo automóvel.

A multinacional norte-americana anunciou que pretende encerrar as fábricas de Nelas (650 trabalhadores), em Maio ou Junho de 2007, e a de Portalegre (225 trabalhadores), em Agosto ou Setembro do mesmo ano.

Numa “Nota do Pastor”, tornada pública a 2 de Outubro no site da diocese de Viseu, D. Ilídio Leandro, que fora pároco em Canas de Senhorim, concelho de Nelas, afirma que “uma empresa não pode encerrar, depois de criadas todas as legítimas expectativas nas populações, nas zonas de implantação, nas pessoas que a servem e que nela são servidas, sem razões muito graves”. O bispo de Viseu lamenta “o sofrimento de todos quantos, usufruindo dos seus postos de trabalho, tinham legítimas aspirações quanto ao futuro” e une-se “a todos os desempregados de longa duração, a todos os despedidos dos seus postos de trabalho, a todos os que procuram o primeiro emprego”. Deixa ainda um apelo “às autoridades governamentais e autárquicas para que tudo façam no sentido de responder, de forma positiva, rápida e socialmente justa, a todas estas crises humanas, laborais e sociais, tendo sempre em conta as pessoas, as famílias e as regiões atingidas”.

Capital contra trabalhadores

“Inquieta-nos que um gigante empresarial como este, à semelhança de tantos outros, deite no desemprego tantos funcionários, de quem dependem muitas famílias”. Nestes termos, pronuncia-se a Comissão Justiça e Paz da Diocese de Portalegre-Castelo Branco.

A Comissão lamenta que o “grande grupo empresarial mundial”, com actividades que vão do sector automóvel à aeronáutica, ao ramo hospitalar, ou às ciências da vida, não queira substituir a produção de Nelas e Portalegre por outras, dentro das que o grupo já contém, aproveitando pessoas, instalações e equipamentos.

Lembrando que, na linha da Doutrina Social da Igreja, o capital e a propriedade devem estar ao servido do ser humano, a Comissão afirma que “é imprescindível haver uma cultura de co-responsabilidade a todos os níveis, envolvendo patrões, empregados, sindicatos, Estado e sociedade em geral” e deixa uma crítica forte à multinacional dos EUA e a outras que procedem do mesmo modo: “No nosso país, a Johnson Controls, tal como outras multinacionais, têm repetido esse antagonismo entre o trabalho e o capital, em que este, para crescer cada vez mais e poder acumular mais lucros, trata o homem como algo de descartável (…) Será que estas grandes empresas, ao estabelecerem-se numa determinada região, deverão atender apenas às questões legais e esquecerem-se dos problemas éticos, relativamente aos trabalhadores que vão empregar?”

J.P.F.