Questões Sociais O desemprego é vivido, sobretudo na família, no meio envolvente e na empresa; pelo contrário, a política de emprego situa-se, fundamentalmente, na esfera nacional. Deste enorme contraste, resulta um distanciamento fatal daquela política, que vem sendo invencível, até hoje, e nada garante que venha a ser superado no futuro.
Mais precisamente (embora de maneira incompleta), o distanciamento verifica-se no espaço, no tempo e na esfera institucional. Comecemos pelo referente ao espaço.
O centro de decisão da política de emprego é, naturalmente, o poder político e, por outro lado, o organismo de execução – o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) – nunca foi descentralizado, e não se encontra suficientemente desconcentrado. Até se defende ainda hoje, com bastante razão, que não se justifica tal descentralização; mas, em contrapartida, parece haver consenso relativamente ao imperativo de desconcentração mais adequada. No fundo, a missão deste organismo deveria impregnar todo o tecido económico e social.
O desfasamento no tempo consiste no facto de as políticas de emprego serem reféns das marcas dos anos oitenta do século passado, e não conseguirem dar o salto para os dias de hoje, nem, consequentemente, abrir-se ao futuro. O IEFP deixou-se identificar, excessivamente, com a função de instituto para-financeiro, prejudicando a missão específica de «serviço público de emprego».
Ele ocupa-se, com alta prioridade, dos desempregados e da procura das necessárias «colocações»; ocupa-se, assim, do «mercado» externo» às empresas e de outras entidades empregadoras. Mas, não cooperando nos «mercados» internos», dentro dessas entidades, deixa de fora a grande maioria da população activa (a que não está desempregada); por isso, não actua, suficientemente, na prevenção do desemprego e, sobretudo, não aproveita o enorme potencial económico e social disponível.
A cooperação estreita e regular com associações empresariais e sindicais de âmbito sectorial e regional, efectuando avaliações, formulando propostas e assumindo compromissos comuns, seria indispensável na mobilização do tecido socioeconómico.
Tudo o que acaba de ser dito revela o distanciamento institucional da política de emprego. Este distanciamento, tal como o espacial e o temporal, só terminará quando essa política respeitar a base familiar, local e empresarial do desemprego, e cooperar com ela na procura das soluções necessárias.
