Divisão é o nosso maior pecado

JOSÉ ANTÓNIO CARNEIRO

Padre. Vigário paroquial da Glória

Jesus ensinou a unidade. Em variadíssimos momentos da sua vida terrena, na sua terna pedagogia, o Filho de Deus procurou fortalecer os laços de união e unidade entre os seus discípulos. Jesus rezou pela unidade, formou para a unidade, ensinou a unidade e viveu a unidade.

Tenho para mim (e não será só para mim!) que, desde sempre, a divisão foi e é o maior pecado da Igreja de Jesus Cristo, de todas as épocas e de todos os tempos.

Nestes tempos que correm para nós, as coisas não são diferentes de outros tempos. No âmago do coração de Jesus, Filho eterno do Pai, unido em perfeita unidade e sintonia com o Espírito Santo, está o desejo de unidade daqueles que se empenham, hoje e sempre, em ser discípulos e seguidores.

São muitas as situações incongruentes e de contra-testemunho que vamos dando ao mundo enquanto Igreja. Talvez precisemos de um ecumenismo ad intra! Talvez precisemos de “meter a mão à consciência” para vermos até que ponto estamos a ser unidos e fiéis ao mandato “que todos sejam um”.

Num ano em que, como Diocese, queremos afirmar que a Igreja que somos é fraternidade de famílias que confirma a esperança há, com certeza, gestos de unidade e de união que deveremos dar. Desde logo, a cooperação e unidade na acção pastoral. Não se trata de uniformidade. A diversidade é riqueza e beleza, apenas e só, se contribuir para a unidade daquilo que somos por essência: COMUNIDADE!

Vou vendo e lendo sinais muito concretos, nesta Igreja que peregrina, que não traduzem essa fraternidade nem essa unidade pretendida pelo próprio Jesus. E aquilo que vemos, ouvimos e lemos nós não podemos ignorar!

Aquilo que diz o Cardeal Walter Kasper, em relação ao movimento ecuménico, vale muito bem para o interior da Igreja Católica: “Temos que admitir com tristeza que ainda não existe a plena comunhão entre nós”.

Tenho esperança – isto é, acredito – que este nosso ano pastoral possa traduzir esse renovado empenho em sermos UNIDOS, família de famílias, que ousam ser e tornar-se aquilo que são.

Creio que Deus diz, ainda hoje, várias vezes, na eternidade do seu tempo: “I have a dream”. Deus quer uma humanidade (e a Igreja está aí) que seja unida e feliz! Se Deus quer e nós sonhamos, então, a obra da unidade nascerá!