Doenças dos tempos actuais

Colaboração dos Leitores Vamos analisar algumas doenças dos tempos actuais, umas incuráveis e outras ainda com remédio, se mais cedo não for, curam-se com os anos.

A primeira é a deformação dos ossos do dedo polegar, geralmente da mão direita, por causa de tantas mensagens de telemóvel que a gente nova e menos nova tem a mania de mandar – é na rua, nos autocarros, no Metro, nos restaurantes, etc. É fatigante para quem vê, mas parece que é delicioso para quem se agarra ao telemóvel. Esta talvez passe com a idade.

Outra doença é a surdez provocada pelo uso constante dos auriculares; não basta a frequência das discotecas onde o som é de um volume tal que quem lá está não conversa em tom normal, mas quando querem conversar têm de berrar uns para os outros. É muito provável que cause problemas de surdez e mais que certo que conduz ao isolamento – impede a conversa ou trato ocasional com quem nos cruzamos. Esta também deve passar com a idade.

Há outra doença que se me afigura muito grave, falando sério: é o desgaste das articulações dos maxilares por tanto mastigar pastilhas elásticas. É na rua, nos transportes públicos, nos estabelecimentos comerciais, etc. É vulgar sermos atendidos num estabelecimento com o (a) empregado (a), mascando pastilhas; é vulgar os alunos nas aulas passarem tempo a dar aos queixos, porque os professores estão “proibidos” de os mandar deitar a pastilha no cesto dos papéis, pois as “crianças podem ficar traumatizadas”, e assim vamos vivendo a política do “é proibido proibir”. Esta pode ter consequências irreversíveis, a menos que se sujeitem, mais tarde a uma prótese.

Há a doença dos mais novos sempre agarrados ao telemóvel a fazer joguinhos, geralmente de cariz violento, tal como os desenhos animados que as TV’s lhes oferecem.

E cuidado, porque o Sistema Nacional de Saúde não tem trata-mento para estas doenças, aliás como para muitas outras, porque, para começar, quem está doente e muito grave é o próprio SNS, que obriga, em certos locais um doente a passar a noite embrulhado numa manta para conseguir uma consulta no dia seguinte. Se o doente padece de uma pneumonia, nada melhor que dormir quase ao relento para o curar de vez. De que modo? Mandando-o desta para melhor!

Maria Fernanda Barroca