Dois livros sobre bacalhau apresentados no MMI

O Museu Marítimo de Ílhavo foi palco para a apresentação de dois livros sobre o bacalhau: “A Epopeia do Bacalhau” e “Aparelhos e Métodos de Pesca à Linha usados na Frota Bacalhoeira Portuguesa”.

O texto principal do livro “A Epopeia do Bacalhau”, editado pelos CTT, é da autoria de Álvaro Garrido, director do MMI e investigador da Universidade de Coimbra, que inicia com um estudo inédito sobre a história trágico-marítima da frota bacalhoeira portuguesa durante a II Guerra Mundial, apresentando de seguida temas já desenvolvidos pelo autor em outras publicações, que cobrem temáticas diversas, da cultura à economia, dando uma visão polifacetada e global da pesca do bacalhau, como realçou Mário Ruivo, autor do prefácio do livro.

“A Epopeia do Bacalhau” apresenta um segundo tema, da autoria do jornalista David Lopes Ramos, que assina crónicas sobre gastronomia no jornal “Público”. O autor foca o uso gastronómico do bacalhau. Curiosamente, os dois autores deste livro, convidados expressamente para a elaboração desta obra pela direcção dos CTT, são naturais do concelho de Estarreja.

O livro está profusamente ilustrado, incluindo algumas imagens referentes ao MMI e ao concelho de Ílhavo.

De realçar que “A Epopeia do Bacalhau” teve a sua apresentação pública, a nível nacional, precisamente no MMI, devendo a sua segunda apresentação ocorrer em Lisboa, por iniciativa do Centro Nacional de Cultura.

Como é habitual nas edições dos CTT, também “A Epopeia do Bacalhau” inclui os seis selos da emissão filatélica “Pesca do Bacalhau”, o que faz destes livros produtos de interesse filatélico e bibliográfico, para além da sua importância como obra de estudo e de divulgação cultural e de investigação histórica.

Editado pela Câmara Municipal de Ílhavo / Museu Marítimo de Ílhavo, o livro “Aparelhos e Métodos de Pesca à Linha na Frota Bacalhoeira Portuguesa” é da autoria de Mário Ruivo e António Nunes de Oliveira. O texto é o resultado do trabalho que o biólogo marinho Mário Ruivo efectuou a bordo de navios bacalhoeiros portugueses, na década de 1950, e tem a colaboração do antigo oficial da frota bacalhoeira António Nunes de Oliveira, natural da Murtosa.

Apesar de escrito há meio século, por motivos diversos, o livro manteve-se inédito até agora. Com esta obra, o MMI dá início a uma nova colecção que pretende divulgar estudos inéditos sobre a pesca do bacalhau.

Cardoso Ferreira

Mário Ruivo doa documentação ao MMI

Mário Ruivo, cientista reconhecido mundialmente pelos seus trabalhos de investigação marinha, em especial relacionados com o bacalhau, considerado o “pai” da biologia marinha em Portugal, manifestou o seu interesse em doar ao Museu Marítimo de Ílhavo o seu acervo documental, nomeadamente centenas de fotografias que tirou a bordo durante as viagens de investigação efectuadas pelos mares do Atlântico Norte, e documentos que possui nos seus arquivos, documentos que ainda são inéditos, apesar da sua importância científica.

Neste momento, no MMI está patente ao público uma exposição fotográfica constituída por algumas dessas fotos de Mário Ruivo, que são autênticos documentos da pesca do bacalhau dos meados do século passado.

O director do MMI, Álvaro Garrido, sublinhou que esse acervo terá um tratamento condigno, como já aconteceu com as fotos agora expostas, de modo a que possa ser estudado pelos investigadores interessados nessa temática.

Ílhavo investe em projectos ligados ao mar

O presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Ribau Esteves, afirmou que Ílhavo irá continuar a investir em projectos ligados ao mar, sector que considerou como “factor diferenciador” do concelho de Ílhavo, tanto em temos culturais, como geopolíticos e económicos.

Nessa aposta inserem-se projectos municipais como o Centro de Investigação e de Empreendedorismo, que começará a ser construído ainda este ano, junto ao MMI, e que integrará um centro de arquivo e de investigação da pesca do bacalhau e um aquário de bacalhaus.

Para além das iniciativas municipais, o autarca recordou ainda parcerias em que o município ilhavense participa com outras entidades, nomeadamente a Universidade de Aveiro, em projectos relacionados com o mar.

Ribau Esteves realçou ainda que, para Ílhavo, o mar, e em especial o bacalhau, assume um “misto de história, cultura, actividade económica e peça gastronómica”.