Questões Sociais 1. As estatísticas do Instituto do Emprego e Formação Profissional já registam, há muito, a existência de um elevado número de desempregados habilitados com licenciaturas ou com outros diplomas do ensino superior. Ultimamente, as mesmas estatísticas passaram a registar também a existência de desempregados detentores de pós-graduações diversas, incluindo mestrados, doutoramentos e pós-doutoramentos.
As causas do fenómeno são mais ou menos conhecidas, embora insuficientemente estudadas. Realça-se, porventura, a inadequação entre o sistema educativo e o sistema de emprego. Afirma-se com razão, a este propósito, que muitos cursos não correspondem a empregos disponíveis e que o crescimento económico não tem acompanhado o crescimento do sistema educativo. Deste modo, os empregos disponíveis são insuficientes em termos qualitativos, e inadequados em termos qualitativos.
2. Face a tão graves problemas, os comportamentos dos diplomados, do sistema educativo, da economia e das políticas de emprego têm sido bastante diversificados. Registam-se, no entanto, dois comportamentos extremos: num extremo, os diplomados aceitam qualquer emprego (ou “agarram-se a qualquer trabalho”), ainda que muito inferior às suas aspirações; no outro extremo, os diplomados avançam para pós-graduações e para títulos académicos mais avançados, com a expectativa de melhor se inserirem no mundo laboral em empregos de nível superior.
Os diplomados pertencentes ao primeiro grupo já são, hoje, uma potencialidade relevante e transformadora, ainda não assumida como tal nem pelas empresas nem pelo Estado. O segundo grupo corre o grave risco de ficar cada vez mais desfasado das oportunidades de emprego, aumentando suas frustrações e transferindo para a sociedade e para o Estado a responsabilidade pela solução dos seus problemas de emprego.
Já existem casos de diplomados que ultrapassam os 30 e os 40 anos de idade, sem nenhuma inserção profissional. Nuns casos trata-se de elevada vocação e aptidão para os estudos. Noutros, está em causa fundamentalmente a procura de empregos considerados superiores.
Em ambos os casos, as perspectivas profissionais parecem pouco animadoras, apesar de terem aumentado nos últimos anos com a livre circulação nos países da União Europeia e com as hipóteses de mobilidade em espaços mais alargados.
