Duas introduções ao que a Igreja pensa dos problemas sociais

LIVROS No espaço de dias, surgem dois livros, de dois leigos, sobre Doutrina Social da Igreja. “Doutrina Social da Igreja” – diga-se desde o início – é o pensamento da Igreja sobre as questões sociais. Já teve denominações como “Pensamento Social da Igreja”, ou “Doutrina Social dos Papas”, ou “Pensamento Social Católico”, mas hoje há um certo consenso à volta da referida expressão, cunhada por Pio XI, e da sigla DSI. E por “questões sociais” entendem-se principalmente estas: o trabalho, o capital, a riqueza e a pobreza, o desenvolvimento dos povos, direitos humanos, participação política, o meio ambiente, a globalização.

Visões mais abrangentes sobre a DSI pretendem nela incluir a questão da família ou dos meios de comunicação social, por exemplo, mas estes temas só são de DSI na medida em que as práticas político-económicas têm reflexo sobre esses âmbitos (como sobre muitos outros). Por outras palavras, DSI é o pensamento católico (assumido nos documentos do magistério e principalmente papais) sobre as práticas políticas e económicas.

Hoje, a DSI gira à volta de um corpo documental que vai de 1891 a 1991. José Dias da Silva afirma, peremptório: “O nascimento oficial da DSI foi a 15 de Maio de 1891, com a publicação da encíclica ‘Rerum Novarum’ (…)”. Leão XIII escrevia então sobre “as coisas novas” que vinham “agitando a sociedade”, ao constatar que os trabalhadores se deixavam seduzir por associações e sindicatos, geralmente anticlericais, que preconizavam a luta de classes e a supressão da propriedade privada (“o ódio contra os que possuem”) – a chamada “questão operária”.

Ao longo da história, até à encíclica “Centesimus annus” (“Ano centenário”), de João Paulo II, em 1991 (depois disso, dos papas, há apenas a acrescentar os números 19 a 29 de encíclica beneditina “Deus Caritas Est”), a DSI foi-se afirmando como uma crítica quer ao socialismo quer ao capitalismo. Houve quem tentasse ver na DSI uma terceira via, mas, na verdade, o pensamento eclesial não é uma proposta ideológica. É antes uma leitura crítica da realidade a partir destes princípios: Bem Comum, Destino Universal dos Bens, Solidariedade, Subsidiariedade, Participação, Verdade, Liberdade e Justiça na vida social.

Os livros esta semana apresentados são uma introdução à DSI, nos seus documentos, temas e princípios. Ambos os autores têm larga experiência na divulgação da DSI. José Dias da Silva, de Coimbra, ensinou-a na Escola de Leigos local e é membro da Comissão Nacional Justiça e Paz. Por Carlos Verdete fala o longo trabalho de formação de leigos nos Cursilhos de Cristandade da arquidiocese de Évora.

J.P.F.

A Doutrina Social da Igreja

Carlos Verdete

Paulus

264 páginas

Em nome de Jesus Cristo

Uma formação básica em Doutrina Social da Igreja

José Dias da Silva

Paulinas

230 páginas