Ponta de Lança Ninguém terá ficado indiferente ao movimento patriótico que o Euro provocou na portugalidade, nessa pátria imensa que é a “nossa língua”!
Uns ignoraram o dinamismo social, a catarse comum e fixaram a sua observação sob o prisma douto; outros encararam o fenómeno como expressão da alma de uma pátria, de um povo; um terceiro grupo radicou o seu entusiasmo na empatia colectiva, no carisma que o desporto tem para congregar; finalmente, um quarto grupo não pensou em nada: foi para a rua e prontos: toma lá disto que é nacional, estamos a ganhar somos os maiores!
Mas ninguém deixou de sentir, temos a certeza, quanta injustiça se jogou no querer de um povo!
No sofrimento que o euro provocou está a nossa história, uma história de saudade, de nevoeiro, de fado, de profecia, de tragédia. Se à Grécia se deve a invenção da transcendente mitologia trágica, é a Portugal, nessa mesma terra por onde passou Ulisses, que se deve a experimentação.
Na epopeia de Camões fomos para além da Taprobana. Com sarcástica ironia, foi à beira Tejo que terminou esta aventura lusitana.
E depois disto, ficamos com a sensação profunda de que as nossas vitórias, ou derrotas, carregam sobre si qualquer coisa mais que a simples sorte de um jogo!
Há algum superior que nos indica o grande feito que não está feito: a epopeia só agora começou! A nossa missão é ganhar!
Desportivamente… pelo desporto!
