E os que ficam sem casa?

Olhos na Rua Um padre da diocese de Múrcia, de seu nome Joaquin Sanchez, dedica o ministério a “aliviar o sofrimento humano” daqueles a quem os bancos retiraram a casa de habitação. Naquela zona são mais de 150 mil os que ficaram sem casa. Constituiu-se uma associação “Plataforma de Afectados por la Hipoteca”. Os objetivos por que se luta são “parar os desalojamentos, reclamar uma legislação mais humana, procurar outras opções que não sejam entregar a casa ao banco e endividar-se para sempre”. Certamente que, perante o muro intransponível do poder económico, a luta não é fácil. Cá e lá, diz-se que “os bancos não fazem caridade”. Mas podem contribuir para a justiça social e para a dignificação humana. Os bancos estão agora atafulhados de casas por esta razão, e fazem leilões de venda, onde os oportunistas se aproveitam do desbarato. Vi que, também, já se tiram as casas aos avalistas… Não será possível renegociar com os donos das casas, com realismo e a contento de todos?

Sempre senti que será das coisas mais dolorosas, perder num dia a casa que se sonhou e pela qual se lutou toda a vida. A “sua” casa, de repente deixa de o ser, com tudo o que isto significa. Uma luta que não vai parar. Nem Estado, nem sociedade, nem Igreja se podem alhear. Nem a Banca se pode contentar, porque lá vai recuperando algum…