Colaboração dos leitores Despi-vos da mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros. (Efésios 4, 25)
Nos bancos da escola primária aprendi uma história chamada «Pedro e o lobo». Com certeza, muitos a conhecerão. Nesse conto, diz-se que havia um menino pastor que se divertia a pregar partidas ao povo da sua aldeia. Lançava pânicos e medos, entre a unida população, a qual face a ameaças exteriores se unia para ajudar quem estava em perigo. Umas das partidas preferidas era a de gritar por socorro, dizendo «Acudam! Aí vem um lobo!». E o povo lá ia socorrer o pequeno Pedro, que se enchia de gargalhadas ao ver tanta gente a correr em vão. Mas, como sempre, não há volta sem senão, um dia veio mesmo um lobo… O Pedro bem gritou, mas o povo pensou que se tratava de mais uma das suas brincadeiras e não lhe acudiu. O lobo comeu as ovelhas. E o Pedro aprendeu a lição – não se deve mentir.
Trago para esta coluna esta história, devido ao estado de desânimo e constante ameaça de sanções da União Europeia ao nosso país. Temos tido o azar de escolher uma classe política que se fartou de gritar «Acudam! Aí vem o lobo (a crise)!», mas parecia que tudo era uma brincadeira. De tanto ouvir falar «mentiras», o povo deixou de acreditar na classe política e agora vê o resultado da vida desregrada: desemprego, défice público, insegurança, e por aí adiante.
Como na história do Pedro, é preciso aprender a dizer a verdade, mesmo que ela nos custe o lugar de deputado ou de ministro. É preciso falar sem engodos, nem que o resultado seja a perda de votos nas próximas eleições.
É hora de dizer «Basta!» a tantos artifícios (referendo do aborto) que pretendem fazer distrair a população das verdades e dos problemas estruturais do país. Portugal precisa de rumo, precisa de novos tempos. Tempos de confiança e de reencontro consigo e com aquilo que pretende que seja o seu futuro. Temos de ajudar Portugal a voltar a sonhar e a acreditar que vale a pena ser português.
Sérgio Carvalho
