“É preciso formar especialistas no apoio e na terapia do luto”

Congresso sobre o luto A Universidade de Aveiro (UA) vai criar uma pós-gradução em conselheiros do luto. Esta foi uma das medidas saídas do congresso “O luto em Portugal”, que durante os dias 4 e 5 de maio decorreu na UA, sob coordenação do professor José Eduardo Rebelo.

No congresso, com a participação de 250 pessoas e a intervenção de especialistas nacionais e internacionais, “debateu-se pubicamente sobre o luto, de forma descomplexada”, “defendeu-se a investigação científica nesta área” e “impulsionou-se a formação de especialistas no apoio e na terapia do luto”, resumiu a este jornal José Eduardo Rebelo.

O luto é o período que vai da perda até ao momento em que uma pessoa se sente novamente disponível para outra vinculação. Vive-se em relação à perda de pessoas – afirmou-se que sofremos, em média, 30 a 40 perdas ao longo da vida – mas também relativamente a outras perdas como amputações de membros, desvalorização profissional, abortos, filhos deficientes.

Com maior ou menor dor, “todas as pessoas fazem luto”, o qual, noutro momento, José Eduardo Rebelo descreveu como “um processo de desconstrução, tijolo a tijolo, de tudo o que foi construído”, que “implica sofrimento”, mas que “tem que ser vivido, porque é necessário”.

No distrito de Aveiro, há dez conselheiros do luto. No congresso, promovido pela Sociedade Portuguesa de Estudo e Intervenção do Luto, Observatório do Luto em Portugal, Associação de Espaço de Luto e UA, defendeu-se que os conselheiros têm de estar cada vez mais presentes nas instituições de forma estável e não simplesmente como voluntários.