Colóquio Europeu de Paróquias, de 8 a 12 de Julho, no Porto “Habitar cristãmente o nosso tempo” é o tema o Colóquio Europeu de Paróquias (CEP), que se realiza no Porto, de 8 a 12 de Julho. A iniciativa, este ano preparada por padres e leigos portugueses, acolhe, na Casa Diocesana de Vilar, delegados de toda a Europa e propõe-se reflectir sobre o compromisso exigido aos cristãos pela cultura actual.
P.e José Manuel Marques Pereira, membro da equipa que organiza o encontro deste ano, considera que “habitar cristãmente o nosso tempo” constitui um “desafio interpelador”. “Os tempos que correm e a cultura em que estamos mergulhados pedem aos cristãos compromissos e empenhamentos de renovado espírito evangélico”, afirma.
Segundo este sacerdote da diocese de Aveiro, trata-se de assumir, “com toda a força, ontem como hoje”, as palavras de Jesus, em Mt 5,13: “Vós sois o sal da terra”. E explica: “Todos sabemos os efeitos da presença do sal nos alimentos. Dá sabor e evita a corrupção e o desgaste. Hoje em dia, é o que o Espírito parece estar de novo a lembrar-nos: a vida cristã só tem sentido no compromisso de habitar este nosso mundo e cultura de um modo cristão, com os valores e a frescura do evangelho, deixando-nos conduzir pelo mesmo Espírito que impulsionou os Apóstolos desde a primeira manhã do Pentecostes”.
Especialistas de vários países
Para abordar a temática, o CEP conta com um painel de peritos que é constituído por Ignasi Mora i Terrats (padre catalão e professor na Faculdade de Teologia da Catalunha), Alphonse Borras (padre belga e vigário geral da diocese de Liège), Luca Bressan (padre e professor na Faculdade de Teologia de Milão, com tese de doutoramento sobre a paróquia) e Júlio Franclim do Couto e Pacheco (padre e pároco da diocese da Aveiro, professor de Sagrada Escritura no ISET de Coimbra).
O CEP consiste em conferências sobre a temática geral e encontros em que os participantes dos vários países partilham sobre a sua realidade. Além disso, haverá visitas a algumas paróquias da diocese do Porto, como forma de enriquecimento mútuo. “O importante é o que damos e o que recebemos, para melhor habitarmos este nosso tempo carregado de esperança, para além dos desafios que nos coloca”, remata P.e José Manuel Marques Pereira.
Iniciativa ecuménica e unificadora
A ideia original dos Colóquios partiu do cónego François Connan, de Paris, com o apoio do Cardeal Konig, de Viena de Áustria. O primeiro realizou-se em Lausanne, na Suíça. Corria o ano de 1961. De então para cá, de dois em dois anos, cristãos católicos, anglicanos e ortodoxos, padres e leigos, juntam-se numa iniciativa claramente ecuménica e unificadora da Europa.
O último Colóquio, no ano de 2005, realizou-se em Erfurt (Alemanha), terra do reformador Martinho Lutero, com 220 participantes (15 portugueses). Portugal já acolheu a iniciativa por duas vezes, em 1975 (Lisboa) e 1989 (Fátima). Segue-se o Porto.
