E quando o casamento fracassa? (2.ª parte)

Perguntas & Respostas – Matrimónio, um caminho a dois E o que é que acontece quando alguém casou e o seu casamento fracassou? Qual é a sua situação perante a Igreja? Pode refazer a sua vida?

Enquanto separados, cada um deverá assumir as responsabilidades contraídas no matrimónio e levar a sua vida, tanto quanto possível na fidelidade à sua Igreja e aos compromissos assumidos. Mas, enquanto o Estado reconhece, em si mesmo, poder para pôr termo a um casamento e permitir o acesso a um novo, a Igreja sente-se impotente para o fazer. Como já se disse em textos das semanas anteriores, não é ela a autora do matrimónio. E assim, um casal separado não poderá voltar a casar na Igreja enquanto dure o vínculo de um matrimónio anterior. Este só termina ou por morte de um dos cônjuges ou por sentença de nulidade de um tribunal da Igreja.

E, para terminar, se, por ventura, um ou os dois voltam a casar civilmente, já que não o podem fazer pela Igreja? É a questão dos divorciados recasados e o seu lugar na Igreja. É uma questão muito debatida, talvez não o suficiente, e ainda menos resolvida, e que tem causado muitas dores quer por parte de cada um dos cônjuges que se vê naquela situação, quer também para a Igreja em si mesma que, como Mãe, não pode deixar de acolher cada um dos seus filhos, mesmo aqueles que se encontram nestas situações ditas irregulares.

Para ultimar esta longa conversa que agradeço desde já tanto ao ISCRA como ao Correio do Vouga, quero dizer três coisas:

1. Os tempos em que vivemos não são favoráveis ao matrimónio, como a Igreja o entende, quer porque o indivíduo se assume como o centro da sociedade – e não já a família – com todo o rosário de direitos (e poucos deveres) reclamados em todas as situações, quer porque, com a velocidade do tempo, os compromissos são efémeros, o que hoje era a flor da minha vida, amanhã é coisa murcha de deitar fora.

2. Sendo assim, a Igreja pode ser tentada a assumir uma de duas atitudes, ou seja, adaptar-se aos tempos de acordo com a moda e seguir por diante – assim pedem muitos – acusando-nos de atrasados, dizendo que ainda na Idade Média, que há Inquisição e outras coisas mais ou menos parecidas; ou enquistarmo-nos nas nossas ideias e práticas em nome de uma fidelidade criada para defender a instituição, enquanto o mundo – também ele criado por Deus – se afasta cada vez mais das propostas que temos para oferecer.

3. Resta-nos, quanto a mim, uma terceira via: não deixar de anunciar o nosso projeto – que não é o nosso mas o de Jesus Cristo, mas para isso teremos de utilizar um marketing diferente que passe pelo acolhimento de todos e anúncio no tempo e com tempo, do que é o sacramento do matrimónio para que os casais possam optar, ou não, por seguir esse caminho.

P.e Manuel J. Rocha