Educação política

Revisitar o Sínodo Diocesano O desenvolvimento normal da democracia, com perspectivas de trazer bem-estar social, cooperação, acolhimento das diferenças como enriquecimento e não como fonte de rixas permanentes, exige um longo caminho de educação, de modo a gerar uma cultura da responsabilidade política.

O II Sínodo Diocesano de Aveiro não deixou de enunciar algumas orientações pastorais, que fossem um contributo a esta educação que promova a cultura de tal responsabilidade. Simples, mas claras, com uma referência específica à juventude.

“Coloque-se o Bem Comum e as suas exigências acima de qualquer outro interesse ou preocupação.

Ajude-se o povo cristão a tomar consciência dos valores que envolve uma acção política responsável e a assumir formas de intervenção política, à sua medida.

Preste-se uma especial atenção aos jovens e completem-se os seus programas de formação, quer de pastoral juvenil, quer de educação moral e religiosa, com elementos válidos sobre a responsabilidade da participação política, aos diversos níveis.”

Traçado o objectivo fundamental de toda a acção política – o Bem Comum – que deve pairar acima de todos os interesses, a tónica das afirmações sinodais é a responsabilidade, que cabe a todos, em diversos níveis, à medida de cada um.

Só um aturado trabalho de propor valores estruturantes, que ponham em realce a primazia da pessoa humana, o carácter social da mesma pessoa, a consciência de que o Bem Comum resulta em benefício de todos… pode criar consciência de responsabilidade e mobilizar à participação.

Se é verdade que todas as camadas etárias são susceptíveis de crescer neste sentido, é claro que a juventude é, por excelência, a fase em que se plasma o substrato cultural da pessoa, em que se gera a matriz pessoal e social. Daí a importância de integrar os processos, projectos e programas educativos com valores de desenvolvimento pessoal e social, que confiram consciência de responsabilidade e vontade de participação cívica.

O texto do Sínodo reconhece e proclama que os projectos de pastoral juvenil e a educação moral e religiosa têm que ver com esta consciência e responsabilidade cívica. É que a formação religiosa não é apenas uma “sobremesa” para quem a desejar tomar; é, antes, uma oferta credível de um alimento que nutre, que constrói a pessoa humana integral e, portanto, o cidadão activo. Quando se deita fora esta oportunidade, corre-se o risco de “formatar” apenas cidadãos passivos e dependentes.

Querubim Silva