Educar no perdão

O Mundo, ainda incrédulo, recordou, no passado domingo, as imagens trágicas daquela manhã de 11 de Setembro de 2001. E evocou, emocionado, aquelas quase três mil pessoas que irracionais atitudes de vingança pulverizaram ou reduziram a irreconhecíveis restos carbonizados.

Impressionou o silêncio, o enunciar sobrecarregado de emoção dos nomes das vítimas, a parcimónia das palavras humanas, o lugar sóbrio mas oportuno da Palavra de Deus, a admiração pelas centenas dos que foram em socorro e se juntaram ao número dos tombados na chacina.

Durante todo esse cerimonial, através do mundo inteiro, em milhares de igrejas, escutadas por milhões e milhões de cristãos, proclamava-se um belíssimo texto de Ben-Sirá, cuja síntese perfeita poderá ser: “É impossível apelar para Deus e para a Aliança, obter o perdão dos próprios pecados, quando não se é capaz de perdoar aos outros”. Ou seja: não se pode acolher o Amor absoluto que é Deus num coração ensombrado pelo ódio, possuído pelo rancor e pela sede de vingança…

E não apenas uma vez, nem duas, nem sete! Mas setenta vezes sete, isto é, sempre, como o dizia Jesus a Pedro, no evangelho desse domingo. E a parábola do “servo mau” retrata bem que a nossa dívida para com Deus é insolvente, em comparação com as afrontas que nos possam fazer os outros. Apesar disso, o Seu Amor permanece intacto, “sempre disposto a perdoar a quem recorre à Sua ternura infinita”, de coração límpido e sem qualquer reserva em relação a ninguém.

E se os cristãos levassem a sério esta originalidade da sua fé, que é o perdão? O Mundo não estaria bem diferente? Pouca gente mentirá tanto como nós, repetindo diariamente “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” e mantendo um coração cheio de inveja, atravancado por diferendos mesquinhos, com desejos incontidos de vingança, às vezes dentro da própria casa, no círculo do parentesco de sangue.

O terrorismo vive no coração da pessoa humana. Jesus indicou o remédio para ele: “Fazei bem aos que vos ofendem; orai pelos que vos fazem mal”. Mas só a intimidade com o Amor absoluto nos dará a força para isso! O rancor e a ira geram a violência, o terrorismo. O perdão gera a harmonia e a paz!

Vale a pena aprender e ensinar a perdoar e a aceitar o perdão!