“Andamos distraídos para as questões da educação”, afirmou Júlio Pedrosa, defendendo um envolvimento maior das famílias na escola.
O antigo reitor da Universidade de Aveiro e ex-ministro da Educação realçou que “somos mais capazes de ultrapassar as crises, as dificuldades, se formos mais bem educados” e esclareceu que a educação deve ser entendida, na linha do que Jacques Delors escreveu num relatório para a Unesco em 1999, como um conjunto de quatro pilares: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos; aprender a ser.
Falando na Gafanha da Nazaré sobre “educar para a felicidade”, no dia 26 de Maio, na conclusão de um ciclo de conferências promovido pela paróquia, Júlio Pedrosa reconheceu que educação não é tema de que se fale muito, a não ser que se trate de reivindicações, porque, por vezes com a desculpa de “falta de tempo”, há a tendência para delegar na escola todas as tarefas da missão educativa. Mas aconselhou que o tema seja trazido para as conversas de todos, a começar pelas famílias: “Andamos distraídos para as questões da educação. Se começarmos a trazer isto para as nossas conversas, já é um princípio para mudar a relação escola / comunidade”. Referiu, nesse sentido, um projecto da Universidade de Aveiro que visou aproximar das escolas os encarregados de educação, porque “as parcerias locais que envolvem as famílias contribuem para gerar um bem-estar nos implicados, as crianças”. O projecto incluía também o estimular conversas entre pais e filhos. Como alguns psicólogos e pedagogos têm vindo a afirmar, a simples pergunta do pai ou da mãe, em casa, sobre como correu o dia na escola pode ser crucial para o bom aproveitamento escolar da criança ou jovem.
Júlio Pedrosa observou que os tempos não são estáveis, apontando factores como a injusta distribuição de bem-estar, a desertificação do interior e o crescimento anómalo das cidades do litoral, a influência dos meios de comunicação social, a saída do país de jovens qualificados, entre outros. Sem anunciar a educação como fórmula mágica para resolver todos os problemas e repudiando a importação de modelos estrangeiros sem os conhecer bem, justificou que a edução “tem a ver com a conversão da pessoa toda”, com a “formação de seres autónomos, capazes de fazer escolhas, capazes de viver juntos”, até porque, segundo o ditado, “a felicidade não é ter tudo o que você quer, mas querer tudo o que você tem”. Por isso, “falar de educação é falar de tudo, mas sobretudo do aprender a viver juntos e aprender a ser” – condições essenciais para a felicidade.
J.P.F.
