Educar, um acto de amor

Esteve aí a Semana Nacional da Educação, altura para parar um pouco e pensar no estado da educação no nosso país, e que a nós nos diz respeito directamente, do estado do ensino religioso.

Educar, hoje, parece cada vez mais um engenho mecanizado e cada vez menos a relação de pessoas que se educam e crescem juntas, nos sonhos e propósitos de um mundo onde todos tenham um lugar digno e justo!

Os pais, pela lei, têm o direito de escolher a educação que querem dar aos seus filhos – é lógico isso; para os ajudar têm o Estado, do qual são “patrões” – e bons patrões porque o ordenado (impostos) que lhe pagam não é tão baixo quanto isso! É legítimo que, se um Pai, pagador de impostos e educador supremo dos seus, sendo católico deseja uma disciplina que eduque o filho nos valores em que ele acredita, o Estado (empregado) terá de o garantir! O mesmo acontece se o Pai for budista, protestante, hindú ou de qualquer outra confissão! Se assim não puder ser, não se cumpre a lei. Proponho então que deixemos de pagar o ordenado ao empregado Estado, já que ele não trabalha como deve ser.

Há dias, o Primeiro Ministro espanhol disse, em Espanha, que devia ser a Igreja a pagar aos professores de EMRC! Concordo plenamente! Aliás, até deviam ser os ingleses a pagar aos professores de inglês e os Romanos deviam voltar para virem pagar aos professores de Latim! Perdoe-se a ironia, mas é a melhor maneira de responder a este tipo de argumentação, demagógica por natureza, e que permite ao Estado esquivar-se de um papel que é também o dele – o de garantir uma educação plena, diversificada e abrangente do saber.

Nós temos direitos, garantidos pela Constituição; e se a Escola for cada vez mais um autómato de transmissão de conhecimentos, sem alma e sem dinamismo, em que se ‘façam robots’ e apenas se debitem matérias, então que se mandem os professores todos para casa para pouparmos no orçamento do Estado!

Agora, se queremos um ensino com alma, de pessoas para pessoas, se queremos fazer dos nossos filhos Homens e Mulheres de valores, pessoas que saibam olhar para o Mundo e pensar sobre ele, que saibam parar e discernir que caminhos seguir, que caminhos abrir…, vamos apostar numa educação como um acto de Amor, vamos educar com afectos, com vida! “Só uma relação de amor que envolva todos os intervenientes no processo educativo pode tornar fecunda a tarefa educativa” – é clara a nota pastoral para a semana da educação; “o Homem só no amor atinge a plenitude da realização e se torna semelhante ao próprio Deus”. Como diz S. Paulo, até podemos ter tudo, mas se não tivermos Amor, nada seremos!

A Escola é a semente do Amanhã, mas também do Hoje; a escola não é só o futuro, é o aqui e o agora. Se não se aprender a saber ser e a saber estar, caminhamos para um fim descontrolado, sem rumo, sem sonhos e sem projectos; mas se soubermos Amar, se educarmos no Amor, “um mundo novo pode surgir”.

Só temos de acreditar e trabalhar, fazer as ferramentas funcionarem… A EMRC é um grande veículo e é-o ainda mais quando se liga ao mundo, porque não somos do mundo, mas estamos aqui para o mudar! A educação é para isso e o Amor é o caminho! Afinal, que Escola queremos para os nossos filhos?