O património religioso também pode ser afectado pela A32 – IC2, caso a opção definitiva seja a nascente da Branca O eventual trajecto desta via a nascente também pode trazer custos a nível religioso: em primeiro lugar em relação à Capela de S. Julião, pois fica a poucas dezenas de metros. É um pequeno templo que data do séc. XVIII, com uma escultura em madeira policromada de S. Julião da mesma época, tendo outras imagens além desta e com um misto de talha barroca restaurada recentemente. Apesar de não ser um espaço de culto permanente não deixa de ser um local de meditação e oração, portanto deveria merecer um pouco mais de respeito por parte de quem decide estas coisas. Na eventualidade da obra ser a nascente, não só pode provocar fissuras nas paredes, deste pequeno templo, como prejuízos na talha, porque a vibração das máquinas e os rebentamentos com fogo – porque passa numa zona extensa de pedreiras – mas também o tráfego intenso não tem “contemplações”.
No que respeita à Igreja Matriz, que deve distar pouco mais de cem metros, provavelmente o impacte e os eventuais prejuízos ou efeitos nefastos poderão ser ainda maiores. Como é óbvio, é um local de culto permanente, com cerimónias religiosas de acordo com o calendário litúrgico, mas também espaço de recolhimento e oração, sobretudo aos sábados, Domingos, dias feriados e em dias festivos, com grande concentração de fiéis.
A Igreja Matriz da Branca é um majestoso templo, erguido no séc. XVII, com intervenções posteriores, dotada de um campanário barroco a nascente que alberga três sinos.
Actualmente, é de planta “de cruz latina”, com estrutura exterior Neoclássica. No seu interior ostenta rica talha barroca dourada, do “primeiro Pedrino”, sendo de destacar a da Capela-Mor, com colunas pseudo-salomónicas, sobre as quais assentam as arquivoltas, alternando com pilastras e suportadas por mísulas, bem como a tribuna; tudo com decoração vegetalista, putis e anjos alados (querubins e serafins), tipo “portal românico”, do chamado “Estilo Nacional”. O tecto desta é abóbadado e o tecto restante do corpo da igreja é em madeira, tipo maceira, característico do Estilo Barroco. A porta principal tem um lintel sobreposto e é em madeira maçica e almofadada. No interior, para além do referido tem cinco altares em talha dourada com várias esculturas ou imagens, destacando-se entre elas a do mártir S. Vicente, patrono da paróquia, e um Cristo do séc.XVII. No cruzeiro, dispõe de um arco triunfal, em cantaria, de volta perfeita, e nos flancos dois arcos abatidos com pilastras e aduelas do mesmo material, resultantes de uma intervenção recente.
Ora, a vibração das máquinas, os rebentamentos mais que prováveis do extenso espaço de pedreira, com fragmentação, o tráfego intenso e os gases podem acarretar prejuízos ou causar danos tanto nas paredes como nas talhas ou até nas esculturas. Por sua vez os fragmentos de pedra podem atingir as pessoas que estejam ou circulem nas imediações.
As talhas são o ex-libris da Arte Sacra do séc. XVII/XVIII, da Branca.
A Capela de Nossa Senhora da Aflição, em Casaldima, poderá ficar a pouco mais de cento e cinquenta metros da referida via. Apesar de ser um templo do séc. XX, alberga a imagem da padroeira em madeira policromada e com bastante valor, bem como outras, podendo estar exposta aos mesmos riscos que a Capela de S. Julião e a Igreja Matriz.
Nestes casos, não há interesses particulares como se apregoa para aí na praça pública!…
O interesse é da comunidade paroquial!
Aqui fica o reparo!
Alírio Silva
