Questões Sociais 1. A responsabilidade social do Presidente da República (PR) pode ser assegurada, além do mais, mediante: a activação da consciência social; a congregação de esforços para a prevenção e solução dos problemas sociais; e a leitura personalista da Constituição da República. Abordadas que foram, no artigo anterior, as duas primeiras linhas de acção, é altura de aflorar a terceira.
O personalismo consiste basicamente no reconhecimento efectivo de cada pessoa como agente e destinatária de todas as instituições. Cada pessoa é a primeira responsável pelo seu próprio destino e co-responsável pelo bem comum de toda a sociedade.
O bem-estar e a realização de cada pessoa é o teste por excelência de todas as políticas. Se esse bem-estar e essa realização faltarem, mesmo só numa pessoa, as políticas em causa ou a sua aplicação deverão ser ajustadas.
2. O Presidente da República, enquanto órgão impessoal eleito por sufrágio universal, acha-se especialmente vocacionado para velar pelo bem-estar e realização de cada cidadão, na sua identidade inalienável, no seu contexto familiar e noutros tipos de relacionamento. Esta missão pode ser prosseguida através de todas as formas de proximidade possíveis entre o Presidente da República e os cidadãos. Pode ser prosseguida também através das duas linhas de acção atrás referidas: activação da consciência social e congregação de esforços.
3. Dois outros tipos de iniciativas parecem recomendáveis para a acção presidencial, na óptica personalista. Um deles é o próprio tratamento e seguimento adequado da vasta correspondência que lhe é dirigida: o tratamento das cartas permite identificar os casos mais graves, para os quais não existem respostas adequadas; e o seguimento da correspondência deveria consistir, além do mais, no diálogo, ente os serviços do Presidente da República e os departamentos de Estado competentes, para a avaliação de cada conjunto de casos graves e para a adopção das providências necessárias.
O outro tipo de iniciativa recomendável para o Presidente da República, na óptica personalista, consiste na própria visita (mediatizada ou não) a cidadãos e famílias em situações de maior gravidade. Tais visitas deveriam ser articuladas com os departamentos de Estado competentes, e a respectiva finalidade seria também a adopção das providências necessárias.
Porque estamos na esfera política, essas providências deveriam tender para a solução de todos os casos semelhantes aos visitados.
