Cortina de fumo, para ocultar irreversíveis decisões já tomadas? Entretenimento, para limpar a face de algum candidato comprometido com opções contestadas? Séria “conversão” a procurar o bem comum, por uma opção favorável ao País, que respeite as nossas debilidades, sem se confinar a horizontes tacanhos?… Era isso que gostaríamos de perceber, em todos as afirmações e (des)mentidos que, por estes dias, vieram a público.
Uma coisa é certa: o cidadão comum tem sérias razões para se sentir marginalizado e apreensivo, para desacreditar daqueles que conduzem os destinos do País. Mais do que política, verdadeiro serviço da comunidade humana que somos, a gestão da coisa pública parece, sim, um jogo de misterioso labirinto, com chave hermenêutica reservada a uns tantos “iniciados”, para tortura e desespero da multidão, que, por mais que queira, não vê saída para as suas angústias e apreensões.
Em que ficamos? Ota? Alcochete? Portela+1?… Apito dourado: Há ou não há corrupção?… Casa Pia?… Ainda existe processo?… Primeiro Ministro: é ou não licenciado, com que legalidade?… Bem sabemos que não é preciso ser licenciado para ser competente!… Pobre do Povo, que consume vorazmente a catadupa de “informações” mediáticas, mas fica cada vez mais confuso em relação à verdade dos factos e das decisões.
Por mais que procuremos exercitar o argúcia e o bom senso, por mais que façamos a recolha e comparação de dados e afirmações, por mais que desenhemos o mosaico das relações entre pessoas e acontecimentos, não conseguimos apanhar o fio à meada de coisa nenhuma destas que pintam de negro o Portugal democrático, para a limpeza do qual bem gostaríamos de contribuir.
Como o profeta na praça pública, mesmo que deixemos de ter ouvintes, não deixaremos de clamar, para nos mantermos vivos e esperarmos que, um dia, as contradições não sejam mais camufláveis e o sol da Verdade esventre todos os antros para os sanar de forma radical. Essa é uma certeza que muitos acalentam, a única capaz de dar voz à esperança, mesmo quando os poderosos procuram estrangular todas as vozes críticas.
Acreditamos com o poeta: Não há machado que corte a raiz ao pensamento; não há morte para o vento! Não há morte! E, para o Espírito de Verdade, que tornará patente tudo quanto Jesus fez e nos disse, que nos guiará para toda a Verdade, certo e sabido que nenhuma estratégia humana, visível ou oculta, poderá prevalecer.
