“Estimai os vossos padres, mesmo com os seus defeitos”. Se não são exactamente estas as palavras, é este o apelo que o Santo padre dirige às Comunidades católicas.
Numa perspectiva eclesiológica correcta, não emergindo o ministério ordenado da Comunidade, só nela ele se compreende, porque é o serviço da mesma que o justifica. Chamado por Deus, o presbítero é eleito (escolhido) pela Igreja, na pessoa do Bispo, para o serviço da mesma Igreja.
O padre participa da santidade da Comunidade, como do seu pecado. Investido também na missão de santificar, ele beneficia do crescimento em santidade de todo o Corpo que ele mesmo integra. O amor da Comunidade pelos seus padres imerge-os na sua própria riqueza de graça, tornando-se arrimo para se converterem e superarem continuamente as suas limitações e faltas.
É facto que, quem surge publicamente mais responsabilizado, esse tem maior obrigação de dar exemplo. É certo também, entretanto, que a compreensão e o apoio, o carinho e a cooperação, redimem e elevam os que, embora servindo o divino, não deixam de ser humanos.
Muito breves, mesmo lacónicas, foram as palavras do presbítero acabado de ordenar. “Agradeço a todos os que estiveram no meu percurso! É bom sentir à nossa volta aqueles que nos acompanharam” – foi, na prática, o discurso de agradecimento.
E não era preciso mais: nós caminhamos não como ilhas, mas em conjunto, interagindo e comunicando uns com os outros. O crescimento e responsabilização progressiva na Comunidade beneficia todos. E os Padres, formados nos Seminários, nas Comunidades de origem e por onde passam em tempo de caminhada para o sacerdócio, continuam a crescer, em idade, sabedoria e graça nas Comunidades que servem.
Esta consciência de vida comum, de serviço mútuo diferenciado, é a tradução operativa da comunhão eclesial, é a expressão da sinodalidade, que deve caracterizar uma verdadeira Igreja. Não se desmerece a responsabilidade do papa, não se minimiza a autoridade do Bispo, não se belisca a dignidade do presbítero ou diácono com esta caminhada comum, na diversidade de responsabilidades. Pelo contrário, melhor se identifica a missão de cada um, mais se enriquece cada um com a partilha generosa de todos.
